Para encarar a maratona do Carnaval, musas e rainhas dependem de um kit de sobrevivência inusitado. Entre os itens essenciais para salvar fantasias na avenida, a “supercola” de secagem rápida virou a principal aliada contra imprevistos de última hora durante o desfile.
O produto, no entanto, não é recomendado para colar acessórios ou objetos na própria pele. Diferente do que muitos imaginam, a supercola também não é mais usada para colar tapa-sexos. Atualmente, entre as técnicas usadas para colar o adereço minúsculo está a utilização de um adesivo hipoalergênico e resistente à umidade.
Para Muriel Quixaba, rainha de bateria da Acadêmicos do Tatuapé, o uso do adesivo instantâneo foi uma exceção em sua trajetória, motivada por um imprevisto de última hora na avenida. Ela ressalta que o material só costuma ser adotado em “situações extremas”, como último recurso para evitar a exposição indesejada do corpo na avenida.
“Aconteceu em um momento de emergência, durante um desfile oficial. Foi uma situação em que o figurino precisou de um ajuste rápido para garantir segurança e tranquilidade na Avenida. Isso aconteceu há alguns anos, quando ainda não se falava tanto sobre alternativas mais seguras para esse tipo de recurso. Agora, eu mesma adapto a ‘fita micropore’ para tudo”, afirma.
Ela acrescenta que entre os ingredientes da supercola está o cianoacrilato, substância que reage rapidamente com a umidade da pele, podendo causar calor e irritação. O contato direto pode provocar queimaduras químicas, vermelhidão e até bolhas. Também pode colar a pele acidentalmente, causando lesões ao tentar remover, gerando até alergias e dermatites.
“É uma substância de alta aderência que não foi desenvolvida para uso contínuo na pele. Por isso, é essencial evitar áreas sensíveis, não aplicar diretamente sobre mucosas e garantir a remoção correta após o uso. Sempre que possível, o ideal é optar por produtos específicos para a pele ou por soluções alternativas no figurino”, ressalta.
Theba Pitylla, rainha de bateria da Império de Casa Verde, afirma ao Terra que o uso de supercola em tapa-sexos é incomum nos bastidores. Ela ressalta que também dispensa o artifício e opta por métodos mais seguros e convencionais. “Uso micropore desde sempre, não só no desfile, mas em ensaios também. Além disso, protejo as partes íntimas e os seios antes de colocar os figurinos”, diz.
Outra musa que dispensa o uso da supercola é Naiara Jambo, da Império de Casa Verde. Ela afirma que jamais usaria a susbtância para fixar o tapa-sexo, devido aos riscos e danos que o produto pode causar à pele.
“É muito difícil de usar. Já usei quando uma unha quebrava, mas jamais usaria para colar tapa-sexo, até porque não precisa, né? Ele tem um apressão que já deixa ele no lugar. Mas às vezes é possível usar a supercola em uma sandália que estourou, por exemplo, mas é bem raro. Ou para consertar um brinco”, explica.
Ela ressalta que, antigamente, quando o uso de supercola era mais comum, era preciso ter cuidado até mesmo para colar a peça de um brinco. “Ela é supercorrosiva. Antigamente — porque hoje é muito difícil ver alguém usando — passava-se uma base antes de aplicá-la. Até base de esmalte ao redor da orelha, para não correr o risco de prejudicar a pele”, completa.









