A Justiça de São Paulo condenou o humorista Cassius Matheus dos Santos Soares, conhecido como Cassius Ogro, a pagar R$ 15 mil por danos morais ao padre Júlio Lancellotti. A decisão acontece após o comediante divulgar um vídeo em que associa o religioso a crime sexual contra menores durante a Copa do Mundo do Catar.
Na ocasião, o padre Júlio criticou nas redes sociais o consumo de um prato de carne folheada a ouro por jogadores da seleção brasileira, que estava avaliado em cerca de R$ 9 mil. Em tom de deboche, Ogro respondeu a crítica com um vídeo em que associou o sacerdote a pedofilia.
“Se ponha no lugar, padre. Se fosse um garotinho de ouro, você não ia querer comer ele?”, disse Ogro no vídeo.
O religioso entrou com uma ação na Justiça e argumentou que o conteúdo ultrapassou os limites da crítica e da manifestação de opinião. Segundo ele, o vídeo atingiu sua honra, imagem e dignidade, além de sugerir a prática de crime grave.
Já o humorista afirmou que o vídeo tinha “natureza humorística e satírica”. Ele acrescentou que a fala questionada não tinha imputação real de crime e que tem direito à liberdade de expressão.
A Justiça, no entanto, julgou que o conteúdo extrapolou o campo da crítica ou do humor e atribuiu ao padre comportamento criminoso, o que justificaria a condenação por dano moral. O humorista foi condenado a pagar R$ 15 mil, além de ser proibido de postar ou manter em suas redes sociais qualquer conteúdo que vincule o nome ou a imagem do padre Júlio Lancellotti a crimes sexuais, pedofilia ou mentiras. Ele ainda pode recorrer.
Veja detalhes da sentença:
- Ogro terá que pagar R$ 15 mil por danos morais após associar o padre a crime sexual contra menores de idade.
- Ele também está proibido de postar ou manter em suas redes sociais qualquer conteúdo que vincule a imagem do religioso a crimes sexuais, pedofilia e outros fatores inverídicos.
- Em caso de descumprimento, o comediante terá que pagar multa diária de R$ 1 mil.
- O humorista também tem acusações por racismo e transfobia.
Procurada pelo Metrópoles, a defesa do padre afirmou que comentários ofensivos nas redes sociais não são “terra sem lei”.
“Quando ultrapassam os limites da crítica e atingem a honra e a dignidade de alguém, podem gerar responsabilização”, afirmou o advogado Nicholas Berro.
A reportagem tentou contato com a defesa do humorista, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.









