Um mês após a morte do piloto e influenciador Lito Sousa, a viúva do empresário, a empresária Mila Seidl, usou as redes sociais neste domingo (1) para falar sobre o processo de luto e as dificuldades enfrentadas desde a perda. Em um vídeo publicado em sua conta no Instagram, ela narrou a dor de tentar retomar a rotina, a saudade e a sensação de solidão, mesmo estando cercada por pessoas que a amam.
Ao iniciar o desabafo, ela contou que os últimos 30 dias foram marcados por dificuldades que nem sempre são percebidas por quem está de fora. “Não sei como eu sobrevivi a esses 30 dias. Foi difícil, às vezes, respirar. Foi difícil levantar, foi difícil comer, foi difícil fazer tudo o que para vocês pareceu que foi fácil”, afirmou.
Mila contou que a disciplina e o comprometimento foram aprendizados que compartilhou com Lito, mas não tornam o enfrentamento da perda mais simples. Ela comentou ainda sobre a exposição nas redes sociais e a forma como passou a ser vista pelo público desde o início da situação.
A internet cria vilões e heróis e eu experimentei esses dois papéis, desde que tudo começou. Me colocaram no papel de vilã e também me colocaram no papel de heroína, mas eu sou só uma pessoa comum que está sentindo a pior dor que uma pessoa pode sentir e tentando fazer de tudo para seguir adiante, porque eu preciso”, declarou.
A viúva de Lito explicou que pretende continuar falando sobre o luto em seu perfil pessoal, por considerar que o tema representa o momento que está vivendo. Ela também disse que decidiu compartilhar suas percepções na tentativa de ajudar outras pessoas que enfrentam experiências semelhantes.
“O luto é uma dor que dói a alma, dói o corpo, é uma dor que eu nunca senti nada igual, nunca senti nada igual”, afirmou.
Um dos aspectos mais difíceis, segundo Mila, é lidar com as lembranças e com os objetos que permanecem na rotina após a morte de alguém. A viúva contou que costuma revisitar mensagens e áudios antigos no WhatsApp como uma forma de manter contato simbólico com a pessoa que morreu, mas reconheceu que essas recordações também provocam sofrimento.
“Qualquer pessoa que perdeu alguém que ama volta ali no WhatsApp para ler as últimas mensagens, para escutar os últimos áudios todos os dias. Porque é uma forma de você conversar com aquela pessoa que não está mais aqui. Mas ao mesmo tempo, a lembrança dói. Ela é uma ferida aberta que você enfia o dedo e dói”.
Ela também mencionou situações cotidianas que passaram a representar a ausência de Lito, como olhar para um porta-retrato, encontrar uma cadeira vazia ou perceber objetos que ele deixou em casa. “Essa é a dor do luto. Ela está nas pequenas coisas do dia a dia, que você faz o tempo inteiro, sem você perceber. É a ausência escancarada na sua rotina”, disse.
Outro ponto abordado foi a diferença entre o tempo de quem está vivendo o luto e o das pessoas ao redor. Para ela, enquanto amigos e familiares retomam gradualmente suas atividades, a rotina de quem perdeu alguém continua atravessada pela ausência. “No começo, as pessoas se simpatizam muito com a sua perda, mas muito rapidamente elas retomam a vida delas. E a sua vida não retoma, não retoma nunca”.
Mila ressaltou que a perda afeta diferentes pessoas de maneiras distintas e que não existe uma única forma de enfrentar o luto. Ela citou o filho e as cunhadas como exemplos de pessoas que também vivem o processo à sua maneira. Também relatou o conflito entre tentar se afastar temporariamente das recordações dolorosas e o medo de esquecer a pessoa que morreu. “Porque você tem medo de esquecer da pessoa. É como se você estivesse traindo ela. Por estar tentando tirar ela temporariamente da sua vida. Porque te dói”, explicou.
Ao falar sobre a saudade, ela disse que ainda não consegue transformar as lembranças em recordações tranquilas. “Por enquanto, para mim, a saudade é carregada de dor. De ausência. E da lembrança. De coisas maravilhosas que eu vivi, que eu nunca mais vou ter. Então isso dói. Ainda me dói muito”, desabafou.



