O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ofereceu um duplex nos Jardins, zona oeste de São Paulo, à modelo Izabel Goulart como um investimento na marca de produtos de beleza que seria lançada por ela. O apartamento foi comprado em maio de 2023, por R$ 30 milhões, pela Super Empreendimentos, empresa dona de imóveis usados pelo banqueiro e alvo de investigação da Polícia Federal (PF).
A oferta foi feita no período em que Vorcaro e Izabel mantiveram um relacionamento, após se conhecerem na Les Cinq, uma academia de alto padrão que recebeu aportes de uma empresa de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro que já foi diretor da Super Empreendimentos, suspeita de ocultar os bens de Vorcaro.
Por meio da assessoria de imprensa, Izabel confirmou a oferta do duplex, mas disse que a negociação de investimento com Vorcaro não prosperou. Ainda assim, ele bancou uma reforma no apartamento, que foi acompanhada de perto por Izabel, conforme relatos da vizinhança e de prestadores de serviço. A fatura era paga por empresas ligadas a Vorcaro e tratadas com uma assessora dele. A assessoria do banqueiro disse que ele não vai se manifestar sobre o assunto.
Registrada na Receita Federal como uma “holding de instituições não financeiras”, a Super Empreendimentos recebeu cerca de R$ 650 milhões que teriam sido desviados do Banco Master por meio de um fundo, segundo apontou a Procuradoria-Geral da República (PGR) no pedido feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) para deflagrar a segunda fase da Operação Compliance Zero, no dia 14/1.
Em nota, a defesa de Vorcaro disse que “a relação de seu cliente com a empresa Super é comercial, envolvendo operações de compra e venda de ativos e contratos de inquilinato”. Procurado, Zettel não se manifestou.

Cobertura de R$ 30 milhões
O duplex oferecido à modelo Izabel Goulart é uma cobertura de cerca de 600 m² em um prédio que tem uma unidade por andar em uma rua pequena com apenas cinco condomínios de alto padrão nos Jardins, bairro nobre paulistano. A obra realizada no imóvel foi paralisada em meados de 2025, antes do escândalo do caso Master. Depois da paralisação, as contas da cobertura deixaram de ser pagas.
O síndico do prédio entrou com uma ação judicial contra a Super Empreendimentos, cobrando uma dívida de R$ 29,7 mil pelos condomínios de novembro e dezembro – as datas coincidem com a liquidação do Banco Master. Com o fim da obra, Izabel parou de ser vista no condomínio.









