O ciclo da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2030 começou nesta quarta-feira (9), com o anúncio da primeira convocação do técnico Carlo Ancelotti após o Mundial de 2026. A lista dos 26 convocados para os amistosos contra Austrália e Índia, em uma Data Fifa de 16 dias entre setembro e outubro, está repleta de novidades e atletas mais jovens, marcando o início de um processo de reformulação da Seleção.
A relação conta com apenas 11 dos 26 convocados para a Copa do Mundo de 2026. Além disso, tem oito estreantes e um total de 10 jogadores que atuam no futebol brasileiro. Em entrevista coletiva após anunciar a lista, Carlo Ancelotti explicou a nova linha de trabalho para o ciclo visando à Copa do Mundo de 2030.
“Esta é uma lista equilibrada. Jogadores que estiveram na Copa que vão ser importantes para a próxima geração. Temos jovens que têm qualidade para representar o futuro da Seleção. Temos jogadores que agora estão bem no Brasileiro e outros com idade olímpica. Estamos compartilhando o treinador da sub-17 e sub-20. Nesse momento, precisamos priorizar o jovem que tem qualidade para estar na próxima Copa ou como primeiro objetivo na próxima Copa América”, comentou o comandante.
Apesar do foco nos jovens atletas, o treinador italiano fez questão de deixar a porta aberta para jogadores mais experientes que podem voltar a defender as cores da Seleção. Nomes como Alisson, Ederson, Casemiro, Fabinho, Danilo e Alex Sandro, que foram pilares no primeiro ano de Ancelotti no comando da equipe, não foram convocados, assim como Neymar, que só foi chamado para a Copa do Mundo.
“Agradecer aos jogadores que já tomaram a decisão de não estar mais na seleção. Agradecer a eles pelo compromisso que tiveram com a seleção. Não tem porta fechada e está aberta para todos. Agora eu prefiro focar meu trabalho nos jovens e acompanhar o crescimento deles”, disse.
Ainda assim, o treinador chamou nomes consolidados na Seleção para ajudar nesse período de reformulação. Titulares com o italiano, Marquinhos, Gabriel Magalhães, Bruno Guimarães, Vini Jr. e Raphinha foram convocados pelo treinador para o começo do novo ciclo.
“Escolhi esses jogadores, Marquinhos, Gabriel, Bruno, Vini, Raphinha, para ajudarem nessa mudança de geração. Eles são jogadores muito importantes para o futuro, estamos certos de que, por compromisso, seriedade e profissionalismo, eles vão ajudar o grupo dos jovens a melhorar e se preparar para as próximas competições. Isso não significa que outros jogadores não vão estar. Priorizamos os jovens e a qualidade nesses amistosos para ter informação mais completa de todos os jogadores. Mas pode ser que, quando chegue a competição, os jogadores que hoje não estão nessa lista estejam na lista final das competições”, frisou o italiano.
Agora com quatro anos completos para preparar a Seleção para a próxima Copa do Mundo, em vez do período de apenas um ano que teve para o último Mundial, Ancelotti projeta uma preparação com mais calma, tanto para promover novos atletas quanto para estabelecer um modelo de jogo.
“Agora temos tempo para fazer as coisas com mais calma, tranquilidade, avaliar bem todos. A ideia é muito clara, colocar uma nova geração de futebolistas. Sim, podemos fazer um trabalho sem pressa, tomando a decisão mais correta para o futuro. Falando de qualidade, eu acho que nesse momento há algumas posições bem cobertas, no futuro não vamos ter problemas com a defesa e com atacantes. Temos que escolher meio-campistas. Nesse momento temos um pouco de carência no meio de campo, isso é óbvio, isso vai determinar também o modelo de jogo para o futuro da Seleção”, iniciou o treinador.
“O modelo de jogo depende muito das características dos jogadores que você tem e de qualidade nesse momento. Todo mundo fala do modelo de jogo da Espanha, mas a Espanha pode propor esse modelo porque tem muitos meio-campistas. Espanha teve a sorte de ter uma geração de meio-campistas muito forte. Digo que o modelo de jogo depende das características que você tem. Quando você tem muitos bons defensores, muitos bons atacantes, fazer o jogo de controle de posição é muito mais complicado”, acrescentou.
Por fim, Ancelotti voltou a comentar sobre a eliminação na Copa do Mundo. O italiano revelou que a derrota para a Noruega foi surpreendente e que o tempo de reação após a queda no Mundial foi difícil, uma vez que, no clube, o período para superar a dor costuma ser mais rápido.
“A Copa do Mundo foi uma decepção para nós e para mim. Não tivemos a possibilidade de chegar onde esperávamos. A eliminação contra a Noruega decepcionou muito, porque eu acho que até o minuto 60 atuamos bem. A derrota foi uma surpresa, porque ninguém pensava em ser eliminado, mas o esporte é assim. No clube você reage cedo e aqui é complicado, o período de tristeza da derrota fica mais no coração”, concluiu.












