Barrada por ser trans, Tifanny rompe silêncio após veto na Justiça e avisa que não vai largar o vôlei

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Barrada por ser trans, Tifanny rompe silêncio após veto na Justiça e avisa que não vai largar o vôlei
Tiffany Abreu Crédito: Reprodução/redes sociais

Afastada da Superliga Feminina pela nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Tifanny Abreu usou as redes sociais neste fim de semana para avisar que não pretende abandonar o esporte. A manifestação ocorre pouco mais de uma semana depois de a Justiça derrubar a liminar que garantia à oposta do Osasco o direito de entrar em quadra.

Em texto publicado no Instagram, a jogadora de 41 anos falou das dificuldades dos últimos meses e afirmou que, em novembro, “carregarei comigo a coragem de resistir”. Na mensagem, Tifanny diz que tentam limitar seus passos e calar sua voz, mas que segue acreditando que nenhuma luta é em vão. Ela também afirma que pretende continuar exercendo a profissão que escolheu e que ninguém conseguirá apagar sua existência nem seu direito de seguir jogando.

Apelo a políticos nas redes

Nos comentários da própria publicação, Tifanny pediu aos seguidores que marcassem uma série de perfis para dar visibilidade ao caso. A lista inclui o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a deputada federal Erika Hilton, que também é uma mulher trans, e nomes como Sâmia Bomfim, André Janones, Gleisi Hoffmann, Simone Tebet, Anielle Franco, Fernanda Melchionna e Alexandre Padilha, além da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

Entenda o caso Tifanny

A disputa começou em agosto, quando a CBV passou a restringir as competições da categoria feminina a atletas do sexo biológico feminino. A confederação justificou a medida com o alinhamento às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), ainda que as entidades nacionais não sejam obrigadas a seguir esses parâmetros.

Com a nova regra, Tifanny foi retirada da lista de inscritas do Osasco. Em 16 de outubro, a defesa conseguiu na 44ª Vara Cível do Rio de Janeiro uma liminar que a liberava para jogar. Amparada pela decisão, ela foi titular na conquista da Supercopa diante do Praia Clube e atuou na estreia do Osasco na Superliga, contra o Brasília.

A autorização durou uma semana. Em 23 de outubro, o Tribunal de Justiça do Rio suspendeu a liminar, entendendo que o caso precisa passar primeiro por todas as instâncias da Justiça Desportiva. No mesmo dia, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do vôlei negou por unanimidade o recurso da atleta e reconheceu a autonomia da CBV para atualizar seus critérios de elegibilidade.

O caso ainda não está encerrado. A defesa de Tifanny apresentou um pedido de reconsideração, e o mérito ainda será julgado em definitivo na Justiça comum.

Trajetória marcada por títulos

Desde que a nova regra entrou em vigor, o único torneio em que Tifanny teve liberação para jogar foi o Campeonato Paulista, vencido pelo Osasco. Na temporada passada, ela foi a única atleta trans a disputar a Superliga Feminina.

Tifanny concluiu a transição de gênero enquanto atuava na Europa e, em 2017, recebeu autorização da FIVB para disputar competições femininas. Depois de uma passagem pela Itália, voltou ao Brasil para defender o Vôlei Bauru e, desde 2021, veste a camisa do Osasco. No clube paulista, conquistou a Superliga 2024/25, tornando-se a primeira atleta trans campeã da competição, e quatro Campeonatos Paulistas. Ela também tem um vice-campeonato sul-americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes.

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