O racismo sofrido por Vinícius Júnior ainda é bastante repercutido no mundo inteiro. Anteriormente, Luisão, ex-zagueiro e ídolo do Benfica, se pronunciou sobre o caso. Nesta sexta-feira (20/2), o ex-jogador voltou a falar sobre o assunto. Desta vez, ele deixou claro que também foi alvo de ofensas racistas após defender o Vini Jr.
Veja o pronunciamento de Luisão:
No texto postado nas redes sociais, Luisão enfatiza que também sofreu com racismo. “Também fui alvo de ofensas, inclusive racistas, depois de me manifestar. Isso dói, mas não me fará recuar. Posso ter ignorado provocações desportivas ao longo da carreira, mas nunca me calarei diante da discriminação de uma minoria que não representa o clube que amo”, declarou.
Na última quarta-feira (18/2), Luisão defendeu Vinícius Júnior. O ex-zagueiro criticou a atitude do argentino Prestianni e do Benfica, que apoiou o jogador em caso de racismo contra o atleta brasileiro. Também nas redes sociais, Luisão afirmou que Vini sofreu injúria racial.
“Essa camisa é muito grande, amo o Benfica, é a minha segunda pele. Tem de se ser digno para vestir o manto sagrado. Esse texto piora porque é mentira… futebol ganha-se na raça, na luta… Foi ato racista sim e eu estou envergonhado com isso“, disse Luisão.
Entenda o caso
Durante a partida de ida pelos playoffs da Champions League, Vinícius Júnior foi chamado de macaco por Prestianni, jogador do Benfica. O caso aconteceu após o brasileiro marcar um gol a favor do Real Madrid. Após comemorar dançando, Vini correu para o árbitro e disse que o rival havia o insultado. Mbappé e Valverde confirmaram o episódio.
Confira o posicionamento de Luisão na íntegra:
Passei grande parte da minha vida no Benfica. Cresci como jogador, como homem e como capitão. Conquistei títulos, vivi noites inesquecíveis e defendi aquela camisola com tudo o que tinha. O Benfica é parte da minha história. E é exatamente por isso, e não apesar disso, que me sinto na obrigação de falar.
Nos últimos dias, me posicionei contra qualquer forma de racismo no episódio envolvendo Vini Jr. Não por nacionalidade, nem por polémica, mas por princípio. Racismo não tem clube, não tem camisola, não tem lado. E não pode ser relativizado.
Tudo começou com uma comemoração, um gesto de alegria após um golo. E é preciso dizer o óbvio: dançar não é desrespeito, é expressão. O futebol sempre foi emoção. A alegria de uns é o lamento de outros. Sempre foi assim.
Grandes jogadores celebraram a dançar: Cristiano, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho… A dança nunca foi o problema. O que não pode ser aceitável é transformar uma comemoração em justificativa para ofensas racistas. Nada justifica isso. Nem provocação, nem rivalidade, nem o calor do jogo. Um estádio não é um território sem valores. O respeito continua a valer dentro dele.
Também fui alvo de ofensas, inclusive racistas, depois de me manifestar. Isso dói, mas não me fará recuar. Posso ter ignorado provocações desportivas ao longo da carreira, mas nunca me calarei diante da discriminação de uma minoria que não representa o clube que amo.
O Benfica tem uma história enorme, respeitada no mundo inteiro. Uma história maior do que qualquer episódio isolado. É isso que precisa prevalecer.
O meu amor pelo clube permanece intacto, assim como o respeito e a gratidão pelos seus adeptos. O meu apoio é inegociável, na Luz ou em qualquer estádio.
O futebol é paixão e intensidade. Mas, antes de tudo, é humanidade. E humanidade não admite racismo.
Que saiamos deste episódio melhores. Como clube, como adeptos, como sociedade. Porque jogos passam. Títulos passam. Mas caráter e valores ficam.
Com amor,
Luisão









