Vladyslav Heraskevych, de 27 anos, entrou com recurso urgente no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), na quinta-feira (12/2). O atleta ucraniano de skeleton foi desclassificado dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 após se recusar a trocar o capacete personalizado que exibia imagens de mais de 20 atletas e treinadores ucranianos mortos desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022.
Heraskevych, que carregou a bandeira da Ucrânia na cerimônia de abertura, usou o equipamento, apelidado de “capacete da memória”, durante os treinos oficiais, terminando entre os seis primeiros em várias sessões.
No entanto, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Federação Internacional de Bobsled e Skeleton (IBSF) consideraram as imagens uma violação das regras de neutralidade política no campo de jogo. É proibida qualquer demonstração ou propaganda política, religiosa ou racial nos locais olímpicos.
Após negociações, o COI ofereceu uma alternativa: o uso de uma braçadeira preta em homenagem aos mortos. Heraskevych se recusou, afirmando que retirar as fotos seria uma “traição” aos colegas mortos. Minutos antes do início das primeiras descidas da competição masculina de skeleton, a IBSF o excluiu do programa olímpico, e o COI retirou sua acreditação para competir.
Recurso ao CAS e argumentos da defesa
Heraskevych argumenta que a decisão é desproporcional, sem base em violação técnica ou de segurança, e causa dano esportivo irreparável.
Ele pede reinclusão imediata na competição ou, pelo menos, uma descida supervisionada pelo CAS, pendente de decisão final, antes das últimas duas baterias marcadas para sexta-feira à noite (13/2).
A audiência ocorreu na manhã de sexta-feira (13/2) em Milão e durou cerca de 2 horas e meia. Ao sair, envolto na bandeira ucraniana, Heraskevych sorriu para a imprensa e disse acreditar que a “verdade prevalecerá”.









