A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu alerta oficial nesta sexta-feira esclarecendo que a retatrutida, substância em estudo para tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, ainda não recebeu autorização para uso ou comercialização em nenhum país do mundo. Qualquer produto que seja vendido com esse nome é irregular e representa riscos graves à saúde.
O estágio das pesquisas
A substância apresentou resultados promissores — em um estudo publicado na revista The Lancet, a dose mais alta chegou a promover redução média de 28,3% do peso corporal, além de melhorar o controle da glicose. Mas os testes ainda estão em fase de desenvolvimento clínico avançado, e a fabricante Eli Lilly ainda não concluiu todas as etapas necessárias nem apresentou pedido de registro à Anvisa ou a outras agências reguladoras.
Diferente de medicamentos já aprovados — como a semaglutida e a tirzepatida — a retatrutida age sobre três mecanismos hormonais simultaneamente, mas só poderá chegar ao mercado após comprovação completa de eficácia e segurança.
Riscos dos produtos clandestinos
Apesar da falta de aprovação, versões supostamente da substância já são oferecidas na internet e redes sociais, e também foram apreendidas em operações na fronteira. Sem fiscalização:
-Não há garantia de que realmente contenham retatrutida;
-A dosagem pode estar errada ou haver impurezas;
-Não há informação sobre modo de uso, riscos e contraindicações;
-A fabricação, transporte e armazenamento não seguem regras sanitárias.
Nos primeiros três meses de 2026, apreensões de canetas emagrecedoras irregulares ultrapassaram R$ 11 milhões — valor superior ao total de 2025.
Recomendação oficial
A Anvisa orienta a população a não comprar, usar ou indicar produtos sem registro sanitário. Além do risco de danos à saúde, a comercialização irregular configura crime. Qualquer suspeita de venda ilegal deve ser denunciada ao órgão.












