Estudo da USP alerta: cortes em auxílios sociais podem retrair economia do interior em até 18%

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Estudo da USP alerta: cortes em auxílios sociais podem retrair economia do interior em até 18%

Um levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da FEA-USP, lançado nesta semana, mostra que estagnação ou redução no valor de benefícios sociais e previdenciários pode provocar uma retração severa na economia de municípios do interior. O impacto seria duas vezes maior do que nas capitais e regiões metropolitanas.

Aposentadorias, Bolsa Família e BPC representam quase metade da renda das famílias mais pobres nas cidades do interior. Como esse dinheiro é gasto quase que imediatamente no comércio local, ele garante circulação de recursos, empregos e arrecadação municipal.

“O valor recebido é usado para itens de primeira necessidade e circula imediatamente na economia local”, explica a economista Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP. Enquanto nas capitais os benefícios respondem por cerca de 22% da renda agregada, no interior esse número chega a 40%.

O estudo comparou o cenário de valorização real dos benefícios (2022–2025) com um cenário de congelamento e reajustes apenas pela inflação. Sem ganhos reais, a renda agregada do interior do país poderia ficar entre 6,8% e 10,8% menor nos próximos três anos. As regiões mais afetadas seriam:

-Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí: queda de 17% a 18%
-Amazonas, Sergipe e Pernambuco: perda de cerca de 15%
-Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia: queda entre 10% e 13%

“Isso gera uma reação em cadeia que atinge inclusive quem não depende diretamente de benefícios sociais”, alerta Luiza.

Efeito na pobreza: 2,7 milhões a mais em situação de vulnerabilidade

Sem a valorização real dos benefícios, cerca de 2,7 milhões de pessoas poderiam ter sido empurradas para a pobreza entre 2022 e 2025, sendo 2,4 milhões para a extrema pobreza. Os estados com maior risco:

-Bahia: até 336 mil pessoas
-São Paulo: até 263 mil
-Minas Gerais: até 251 mil
-Maranhão, Pará e Ceará: mais de 200 mil cada

“Para quem vive no limite, qualquer reajuste abaixo da inflação empurra a família diretamente para a pobreza”, ressalta a pesquisadora. Manter a valorização real de aposentadorias, BPC e programas de renda é, segundo o estudo, garantia de dignidade para as famílias e de sobrevivência para o comércio no interior do Brasil.

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