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Fogos de artifício põem animais em risco de sofrimento físico e até óbito, alerta especialista

RIO DE JANEIRO (RJ) – 30/12/2025 – Enquanto milhares se preparam para celebrar o Réveillon com queimas de fogos de artifício, especialistas alertam para os graves impactos que o barulho e o estrondo desses artefatos causam a animais domésticos. Com audição muito mais sensível que a humana – cachorros captam até 40 mil hertz (Hz) e gatos até 65 mil Hz, contra 20 mil Hz do ser humano –, pets podem desenvolver fobias sonoras, sofrer acidentes graves e, em casos extremos, chegar ao óbito.
O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Diogo Alves, explica que os sons altos e repentinos são interpretados pelos animais como ameaças iminentes, desencadeando uma resposta de estresse intensa que envolve fatores sensoriais, emocionais e comportamentais. “Eles ouvem o dobro do que nós ouvimos, e em gatos essa sensibilidade é ainda maior”, destaca o médico veterinário.
Os animais expostos aos fogos podem apresentar uma série de sintomas de pânico: tremores, salivação excessiva, desorientação, tentativas desesperadas de fuga e até automutilação. Durante essas crises, é comum que pets caiam de janelas ou muros, sejam atropelados nas ruas ou desenvolvam problemas físicos como taquicardia, aumento da pressão arterial e crises convulsivas.
“A liberação de adrenalina é tão elevada que pode levar a parada cardíaca em decorrência do choque”, alerta Alves. Ele também adverte contra o uso de coleiras para prender os animais durante os eventos, pois a desesperação pode causar enforcamento e morte.
Para gatos, uma alternativa eficaz são os feromônios em spray, que imitam sinais de bem-estar e ajudam a reduzir a ansiedade. Outra medida essencial é controlar o fluxo de pessoas na residência, evitando que portas fiquem abertas e permitam a fuga dos pets. O contato físico com os tutores – um hábito conhecido como “tail in touch” – também ajuda a amenizar o estresse, pois estimula a liberação de hormônios calmantes.
Segundo o especialista, a prevenção deve começar antes mesmo do período festivo, incluindo não só Natal e Ano Novo, mas também datas como o Carnaval. Manter uma rotina harmoniosa em casa, oferecer brinquedos que estimulem o foco dos animais e criar ambientes protegidos – com cortinas fechadas, isolamento acústico improvisado e sons constantes como televisão ou música em volume moderado – são ações que reduzem o impacto do barulho.
Em relação a medicações, o CRMV-RJ reforça que ansiolíticos e sedativos só devem ser administrados sob prescrição veterinária. “Cada caso é único, e o uso indiscriminado pode causar efeitos colaterais graves. A dose certa faz toda a diferença entre o sucesso e o prejuízo”, afirma Alves, criticando a disseminação de informações não qualificadas pela internet.
Além do estresse causado pelos fogos, a alta temperatura dos últimos dias exige cuidados adicionais. Hidratação constante é essencial – o especialista sugere cubinhos de gelo ou sorvetes caseiros de melancia ou melão, que ajudam a distrair e refrescar os animais. Também é importante evitar passeios em horários de pico de sol, pois o asfalto quente pode prejudicar as patas dos pets, e controlar a umidade do ambiente onde há ar-condicionado, para não ressecar as vias aéreas dos animais.
O professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Guarulhos (UNG), Diego de Mattos, destaca outro risco durante as festividades: a intoxicação por alimentos típicos da ceia de fim de ano. Chocolate, uva passa, cebola, alho e nozes são substâncias perigosas para pets, pois seus organismos não conseguem metabolizar componentes como a teobromina e a cafeína, presentes no chocolate.
Massas cruas com fermento, bebidas alcoólicas e carnes gordurosas ou muito temperadas também representam riscos, podendo causar intoxicações graves ou pancreatite. Ossos cozidos são outro perigo, pois suas lascas podem perfurar ou obstruir o trato digestivo dos animais.
“Se o tutor quiser incluir os pets nas comemorações, é possível preparar opções seguras, como carnes magras cozidas sem tempero, legumes adequados e petiscos específicos para animais”, recomenda Mattos.
Ele alerta que a busca por atendimento veterinário é urgente quando os sintomas de estresse ou intoxicação se intensificam: tremores contínuos, vômitos, dificuldade para respirar, convulsões ou recusa em se alimentar são sinais que não podem ser negligenciados. “O acompanhamento profissional é essencial para evitar que problemas temporários se transformem em condições crônicas”, finaliza.
O CRMV-RJ reforça que celebrar não deve implicar em colocar vidas em risco, e que a responsabilidade com os animais deve fazer parte do planejamento de todas as festividades.








