Essas empresas realizavam a aplicação de dinheiro em fundos da Reag em um sistema de retroalimentação. O Banco Central identificou seis fundos da Reag suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões.
Ainda em janeiro, no dia 21, foi realizada a liquidação da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, também pertencente ao conglomerado do Banco Master. O motivo foi a capacidade de honrar compromissos.
As duas últimas liquidações com ligação com o Master foram realizadas pelo Banco Central nesta quarta: do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A..
De acordo com o BC, a liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira do Pleno, com deterioração da situação de liquidez, e também por desrespeito às normas que disciplinam a atividade, além da não observação das determinações da autoridade monetária.
O Banco Pleno pertence ao empresário Augusto Ferreira Lima. Ele é ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master e, inclusive, foi preso na Operação Compliance em novembro passado.
Confira a lista das liquidações:
- Banco Master S.A. – 18/11/2025;
- Banco Master Múltiplo S.A. – 18/11/2025;
- Banco Master de Investimento S.A. – 18/11/2025;
- Banco Letsbank S.A. – 18/11/2025;
- Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários – 18/11/2025;
- Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.) – 15/1/2026;
- Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento – 21/1/2026;
- Banco Pleno S.A. – 18/2/2026;
- Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. – 18/2/2026.
Impacto no FGC
A série de liquidações extrajudiciais iniciada pelo Banco Central em 18 novembro de 2025 já impactou o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em valor perto de R$ 51,8 bilhões.
O FGC é uma espécie de seguro que garante o ressarcimento a usuários do Sistema Financeiro Nacional (SFN), sob determinadas condições, em caso de liquidação de bancos e afins.
A cobertura máxima pelo fundo é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição financeira. No entanto, há ainda uma trava com limite de R$ 1 milhão dentro do período de 4 anos.
Caso Fictor
O Grupo Fictor protocolou, no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), um pedido de recuperação judicial. A holding detém uma dívida de, aproximadamente, R$ 4 bilhões.
A relação da instituição com o Master vem da tentativa de adquirir o banco pertencente a Vorcaro. Em 17 de novembro de 2025, o Grupo Fictor anunciou que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões. A operação não foi concretizada por causa da liquidação realizada no dia seguinte.