A Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou um alerta nesta terça-feira (2) sobre a possibilidade elevada de surgimento de um novo episódio do fenômeno El Niño ainda neste ano. Dados da instituição indicam 80% de chance de o evento se formar entre junho e agosto, com projeção de intensidade que pode variar de moderada a forte — e o aviso acendeu o sinal de alerta, principalmente no Norte do Brasil.
A região ainda sofre as consequências da última ocorrência do fenômeno, registrada em 2024, quando a Amazônia enfrentou uma das piores secas de sua história. Na época, os níveis dos principais rios caíram a marcas críticas, paralisando o transporte fluvial, reduzindo a produção pesqueira, comprometendo o abastecimento de água e deixando comunidades ribeirinhas isoladas, sem acesso a serviços básicos.
Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, o cenário exige atenção imediata. “Temos que nos preparar para um evento que pode ser forte, capaz de agravar períodos de estiagem ou provocar chuvas muito intensas, além de aumentar o risco de ondas de calor tanto em áreas continentais quanto no oceano”, ressaltou.
Seca e incêndio são os maiores riscos para a Amazônia
O El Niño se manifesta pelo aquecimento incomum das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que desequilibra todo o sistema de chuvas e temperaturas do planeta. No caso do Brasil, o impacto mais severo costuma atingir a Região Norte: a quantidade de chuva cai drasticamente, enquanto as temperaturas sobem, criando condições ideais para secas prolongadas, queda acentuada dos rios, falta de água e aumento no número de incêndios florestais.
Especialistas explicam que um novo período de estiagem severa pode causar danos que vão além da própria região. Isso porque a floresta amazônica funciona como um grande reservatório natural de umidade, responsável pelos chamados “rios voadores” — correntes de ar que carregam nuvens e chuva para outras partes do território nacional. Se a floresta sofrer com a seca, todo o ciclo de chuvas do país pode ser prejudicado.
Em 2024, o cenário foi de emergência: rios secos impediram a navegação por meses, famílias perderam sua fonte de renda e o risco de queimadas atingiu níveis recordes. A repetição desse quadro é a principal preocupação de autoridades e pesquisadores.
Governo federal cria grupo para monitorar e agir
Como resposta ao alerta internacional, o governo federal anunciou a criação de um gabinete de crise dedicado exclusivamente a acompanhar a evolução do fenômeno e coordenar medidas de prevenção. O grupo reúne representantes de diferentes ministérios e instituições de pesquisa, que passarão a fazer análises semanais dos riscos e definir ações para proteger as populações mais vulneráveis e evitar tragédias.
Para a ONU, o momento é de agir antes que os problemas apareçam. O planejamento antecipado é visto como a principal forma de diminuir os danos sociais, econômicos e ambientais que um El Niño forte pode causar, especialmente em uma região já tão sensível e importante para o equilíbrio climático do país.













