Adversários, aliados, imigrantes, direitos, meio ambiente, imprensa: poucos escaparam da retórica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao longo do primeiro ano de seu segundo mandato à frente da Casa Branca. As falas inflamadas –e raramente ensaiadas– ajudam a ilustrar as ações do republicano em 2025 e nos primeiros dias de 2026.
Trump colocou em práticas diferentes promessas feitas durante a campanha presidencial de 2024, que envolviam desde medidas internas até políticas externas: desde a posse, intensificou o combate à imigração, encerrou políticas de gênero, afastou os EUA das discussões climáticas, cobrou tarifas e se colocou como mediador de conflitos internacionais.
Nesta terça-feira, 20, Trump completa um ano do seu segundo mandato na presidência dos Estados Unidos. O Terra destacou oito frases do republicano que marcaram o País e o mundo nos últimos 365 dias. Confira:
“Em vez de tributar os nossos cidadãos para enriquecer outros países, iremos impor tarifas e tributar países estrangeiros para enriquecer os nossos cidadãos”
Em seu discurso inaugural, Trump deixou claro o projeto de rechear as reservas estadunidenses a partir da tributação de receitas externas: “Serão enormes quantidades de dinheiro provenientes de fontes estrangeiras, e o sonho americano estará de volta e prosperando como nunca.”
Os mercados mundiais sentiram o maior peso da declaração em abril de 2025, quando o governo dos EUA anunciou a imposição de tarifas a todos os parceiros comerciais, em diferentes níveis: 10% para os países da América Latina, 20% para os europeus e 30% para a Ásia. Em setembro, o Brasil acabou sancionado em 50%, em uma resposta do governo norte-americano ao julgamento de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.
“A partir de hoje, a política do governo dos Estados Unidos é de que existem apenas dois gêneros, masculino e feminino”
Também no discurso de posse, Trump anunciou o fim das políticas federais de gênero e diversidade, outra promessa reiterada na campanha de 2024. Na ocasião, ele também assinou um ato chamado de “Defendendo as Mulheres contra a Ideologia de Gênero Extremista e Restaurando a Verdade Biológica no Governo Federal”.
Poucos dias depois, o Escritório de Gestão de Pessoas (OPM, em inglês) dos EUA divulgou um memorando em que determinou o encerramento de iniciativas que refletissem ‘ideologia de gênero’ em todas as agências federais. O documento estabeleceu prazos rigorosos para a revisão e eliminação de quaisquer medidas que recomendassem ou promovessem a diversidade.
“Você não tem as cartas agora. Você está apostando com a vida de milhões de pessoas. Você está apostando com a Terceira Guerra Mundial”
Dois anos após a invasão russa ao território da Ucrânia, Trump protagonizou uma discussão acalorada com o líder ucraniano Volodymyr Zelensky no Salão Oval da Casa Branca. O encontro, que teve transmissão ao vivo, tinha como objetivo a assinatura de um acordo de concessão para que os EUA pudessem explorar terras raras no país europeu.
O republicano, no entanto, bateu boca com Zelensky, acusando o ucraniano de ingratidão pelo apoio bélico e financeiro dos EUA à Ucrânia no conflito contra a Rússia. O acordo, por sua vez, não foi assinado, e o imbróglio foi considerado um dos momentos mais tensos na diplomacia entre os países.
“Eu não quero ser bonitinho, não quero ser um cara esperto, mas a Riviera do Oriente Médio pode ser algo tão magnífico”
Em meio às discussões para a implementação do frágil cessar-fogo entre Hamas e Israel, Trump polemizou ao publicar um vídeo, feito a partir de inteligência artificial, em que mostrou a região devastada de Gaza reconstruída com complexos turísticos futuristas e chegou a incluir uma estátua dele mesmo, feita de ouro.
O plano, que incluía o reassentamento de palestinos para a construção da suposta ‘riviera’, teve a reação da comunidade internacional, incluindo os próprios cidadãos de Gaza, que rechaçaram a proposta do estadunidense: “Trump pode ir para o inferno com suas ideias, com seu dinheiro e com suas crenças. Nós não vamos a lugar algum”, disse o palestino Samir Abu Basel à agência de notícias Reuters.
“Se vocês não se livrarem desse ‘golpe verde’, seu país vai fracassar. Eu sou muito bom em prever coisas”
Trump atacou as políticas de transição energética e o combate às mudanças climáticas ao discursar na 80ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas. Em sua fala, afirmou que os países que apostam em uma ‘agenda verde’ vão fracassar.
No discurso, Trump também criticou previsões antigas da ONU sobre mudanças climáticas, citando alertas de 1982 e 1989 que não se concretizaram. Ele ironizou a alternância entre “resfriamento global” e “aquecimento global” e classificou a agenda climática como “a maior farsa já perpetrada no mundo”.
“Quieta, porquinha”
A relação conflituosa entre Trump e parte da imprensa estadunidense também foi um dos destaques de 2025. Em uma das crises, o presidente proferiu insultos sexistas contra a jornalista Catherine Lucey, do Bloomberg, ao ser questionado sobre sua relação com Jeffrey Epstein, bilionário condenado por pedofilia e morto em 2019.
Trump reagiu de forma agressiva à pergunta de Catherine, durante uma coletiva no Salão Oval, realizada em novembro passado. Ele apontou o dedo para a repórter e disse: “Quieta, porquinha” e “Cala a boca, gorda”. Horas depois, voltou a atacar a profissional e afirmou que ela deveria ser demitida.
“Vamos acabar com esses filhos da p***”
Em meio à tensão crescente entre EUA e Venezuela, a presença militar estadunidense no Caribe e ataques a supostas embarcações no narcotráfico, Trump falou sobre o plano de ação no território venezuelano ainda em dezembro.
“Vamos começar a realizar ataques terrestres. Vamos começar isso muito em breve. Vamos acabar com esses filhos da p***”, disse, em 2 de dezembro passado. Pouco mais de um mês depois, Trump autorizou a ação militar que culminou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua extradição aos EUA.
“O país deles não presta por um motivo. O país deles fede, e nós não os queremos em nosso país”
O presidente dos EUA atacou a Somália, também em dezembro, durante um escândalo no Estado de Minnesota, onde, segundo a Justiça, mais de US$ 1 bilhão teriam sido destinados a serviços sociais inexistentes, principalmente por meio de cobranças fraudulentas por parte de americanos de origem somali.
Trump acrescentou que os americanos de origem somali “não contribuem com nada” e atacou a deputada democrata por Minnesota, Ilhan Omar, que nasceu no país africano. “Ilhan Omar é um lixo. Seus amigos são um lixo”, disse.









