Fairfax (VA, EUA) – 13 de fevereiro de 2026 – A brasileira Juliana Peres Magalhães, de 23 anos, foi condenada nesta sexta-feira à máxima pena permitida por acordo de colaboração – 10 anos de prisão – pela participação nos assassinatos de Christine Banfield, de 37 anos, e Joseph Ryan, cujos corpos foram encontrados na residência da família Banfield em 24 de fevereiro de 2023, no condado de Fairfax, na Virgínia.
A sentença foi proferida pelo tribunal local, mesmo com recomendação da promotoria de considerar o tempo já cumprido pela brasileira desde sua prisão imediata após os crimes – pouco mais de dois anos. Juliana havia fechado acordo com a acusação, confessando seu papel e assumindo a culpa pela morte de Ryan.
O caso envolveu um plano elaborado por Juliana e Brendan Banfield, marido da vítima Christine e pai da criança de 3 anos e meio para quem a brasileira trabalhava como babá. Na época dos fatos, os dois mantinham um relacionamento extraconjugal.
Dinâmica dos crimes revelada pelas investigações
Os investigadores apuraram que o casal (Brendan e Juliana) criou um perfil falsificado em uma plataforma online, se passando por Christine, para convidar Joseph Ryan ao domicílio da família. A estratégia era matar Christine e simular que o crime havia sido cometido pelo convidado.
No dia dos assassinatos, Juliana contatou os serviços de emergência alegando que uma amiga havia sido ferida, enquanto Brendan informou por telefone ter disparado contra um homem que invadira a casa e teria esfaqueado uma mulher. Ao chegarem ao local, as autoridades encontraram Christine com ferimentos de faca e Ryan com disparos fatais. A enfermeira foi levada a hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
As investigações concluíram que Juliana foi responsável pela morte de Ryan, enquanto Brendan matou a própria esposa a facadas. Além disso, o homem colocou a filha do casal – que tinha 4 anos no momento e estava presente na residência durante os crimes – em risco. Em veredito divulgado no final de janeiro, Brendan foi considerado culpado pelos assassinatos e também responde por uso ilegal de arma de fogo; sua sentença deve ser definida no início de maio, com expectativa de prisão perpétua.
Inicialmente, Juliana respondia por homicídio em segundo grau e posse irregular de arma. Com a colaboração nas investigações, a acusação foi reclassificada para “manslaughter” (homicídio não intencional), cuja pena máxima é de 10 anos. Em seu depoimento, a brasileira declarou que o objetivo do plano era permitir que ela e Brendan vissem seu relacionamento consolidado. Os advogados de ambos não se pronunciaram após a audiência.
Origem e trajetória da brasileira nos EUA
Nativa de São Paulo e formada em enfermagem, Juliana chegou aos Estados Unidos em outubro de 2021 através de um programa de intercâmbio cultural. O projeto permite que jovens vivam com famílias locais por período de 12 a 24 meses, cuidando de crianças em troca de moradia, alimentação e bolsa semanal.
Ela foi acolhida na casa de Brendan e Christine em Fairfax – cidade com cerca de 25 mil habitantes, a cerca de 30 minutos de Washington, D.C. Brendan, de 40 anos, trabalhava como investigador criminal no IRS (Receita Federal dos EUA), enquanto Christine era enfermeira especializada em cuidados neonatais.










