Mosquito invasor
Nativo da Ásia, o Aedes albopictus, conhecido como mosquito-tigre-asiático, também é transmissor da dengue. O mosquito foi detectado no sul da Europa pela primeira vez em 2007. Desde então, a espécie se espalhou pela Europa Central, e com o aquecimento global, a espécie tem chegado a regiões mais ao norte.
Até pouco tempo atrás, os invernos frios da Europa interrompiam a atividade dos mosquitos, atuando como uma barreira natural contra as doenças que ele transmite.
No entanto, os cientistas estão identificando atividade do mosquito durante todo o ano no sul da Europa, o que indica mais surtos à medida em que o continente se aquece. E não só de chikungunya – os casos de infecções transmitidas pelo Aedes albopictus na Europa, incluindo dengue, têm aumentado a uma taxa média anual de 25%.
Para os pesquisadores do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia (UKCEH), envolvidos na análise, tudo indica que haverá surtos cada vez maiores, mas que os países europeus têm a chance de controlar essa propagação com campanhas básicas de educação e sistemas de monitoramento.
Histórico da chikungunya
A chikungunya causa dores articulares intensas e que muitas vezes se prolongam por anos, podendo ser fatais em crianças pequenas e idosos. O vírus da doença foi detectado pela primeira vez em 1952 na Tanzânia e ficou restrito a regiões tropicais por muitos anos.
Em 2025, foram 445 mil casos suspeitos e confirmados em todo o mundo, segundo o IFL Science. Somente no Brasil, foram 129 mil casos e 121 mortes, de acordo com o painel monitoramento das arboviroses, do Ministério da Saúde.
O primeiro surto de chikungunya na Europa aconteceu em 2007, na Itália, seguido por vários eventos esporádicos em cerca de dez países. Em 2025, houve centenas de casos na Itália e na França.
Os surtos na Europa são provocados por viajantes infectados que retornam de regiões tropicais e são picados por mosquitos locais, que então disseminam a doença internamente.
Incubação do vírus
Quando um mosquito pica uma pessoa infectada, o vírus entra em seu intestino. Após um período de incubação, o vírus está presente na saliva do mosquito, ou seja, ele pode infectar a próxima pessoa que picar. Mas se esse período de incubação for mais longo do que a vida útil do mosquito, o vírus não se espalha.
O dado mais alarmante do estudo, segundo os pesquisadores, é que o vírus não precisa de tanto calor para sair da fase de incubação. A análise indica que a temperatura limite para a transmissão do vírus é de 13 °C a 14 °C, em média dois graus abaixo do que se pensava até então, indicando surtos mais frequentes e duradouros.
“A taxa de aquecimento global na Europa é aproximadamente o dobro da taxa de aquecimento global em escala global, e o limite inferior de temperatura para a propagação do vírus é muito importante, então nossas novas estimativas são bastante chocantes. A expansão da doença para o norte é apenas uma questão de tempo”, afirmou Sandeep Tegar, do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia (UKCEH) e principal autor do estudo, ao jornal britânico The Guardian.
Existem vacinas contra a chikungunya, mas ainda são caras, e sua distribuição ainda está sendo estruturada. A melhor forma de proteção é evitar ser picado – eliminar focos do inseto, como poças de água parada, e usar repelente e roupas claras de mangas compridas para evitar o contato com o transmissor, sobretudo de dia, quando ele costuma se alimentar.