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MUNDO

‘Depois da Venezuela, Trump vai tentar influenciar eleições no Brasil, mas pode prejudicar a direita’, diz especialista americano

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"O único que é grande o suficiente (na América Latina) para parar Trump e dizer 'chega' aos EUA é o Brasil", diz Erick Langer, professor de história na Universidade de Georgetown, em Washington Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP via Getty Images / BBC News Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai continuar “se metendo” nos países da América Latina depois da operação militar que resultou na prisão de Nicolás Maduro, no último sábado (3/1).

Mas as ações de Trump não serão iguais para todos porque cada país tem um peso global e uma conjuntura interna diferentes.

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A avaliação é de Erick Langer, professor de história na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.

Em entrevista à BBC News Brasil, o professor diz que “Trump quer criar uma colônia econômica na Venezuela”, com foco na extração de petróleo por empresas dos Estados Unidos.

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“Os Estados Unidos querem transformar a Venezuela em um país dependente do próprio Estados Unidos, através do petróleo venezuelano. Tudo indica que, para Trump, não importa o regime que esteja lá na Venezuela. Ou seja, a ditadura chavista pode continuar, mudando apenas de nome, e com o mesmo sofrimento do povo venezuelano”, diz Langer, que foi diretor do Centro Latino-Americano da Universidade de Georgetown e é casado com uma venezuelana.

O especialista avalia que a operação americana que deteve Maduro contou com o apoio de integrantes da cúpula do chavismo, como Delcy Rodríguez, vice-presidente do país nomeada presidente interina da Venezuela.

“Acho que Delcy Rodríguez e Diosdado Cabello [um dos quadros fortes do chavismo] fizeram um acordo e traíram Maduro…para ficar com o poder”, afirmou à BBC News Brasil.

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Em contrapartida, Rodríguez teria sido apoiada por Washington em detrimento deMaría Corina Machado, líder da oposição venezuelana.

“[Trump] não quer a María Corina porque ela não é tão manipulável como Delcy Rodríguez apesar de, claramente, María Corina também querer abrir o mercado para empresas de petróleo de fora”, avalia o professor.

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Langer também acredita que Trump passará a pressionar o México para que não ajude Cuba, porque seu objetivo é “estrangular ainda mais” a economia cubana.

Segundo o especialista, o presidente dos Estados Unidos quer dominar todo “o hemisfério americano” e buscará influenciar as eleições presidenciais brasileiras neste ano.

“Mas vai acabar prejudicando a direita porque o nacionalismo falará mais forte”, pontua.

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“O Brasil é o grande contrapeso” contra as investidas de Trump, acrescenta.

A seguir, os principais pontos da entrevista.

BBC News Brasil – Qual é a sua opinião sobre a retirada de Maduro da Venezuela e sobre as declarações de Trump de que vai governar (“run”) o país e abrir as portas para as petrolíferas dos Estados Unidos?

Erick Langer – Foi bom que tiraram o ditador. Mas, em primeiro lugar, não há um plano para o retorno da democracia. E isso combina com Trump, porque Trump não está a favor da democracia nem nos Estados Unidos.

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Acho que o que ele quer fazer é criar uma colônia econômica na Venezuela. Porque o que ele disse, na verdade, é que Delcy Rodríguez “tem que me obedecer ou vou invadir e fazer o que for..”

[Frase do entrevistado, como se estivesse falando no lugar de Trump. Em entrevista à revista americana The Atlantic, publicada no domingo (4/1), Trump ameaçou tomar medidas contra Rodriguez, caso ela não seguisse os planos de Washington. “Se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”, disse o republicano à revista].

Isso é coisa de mafiosos.

Acho falso o Trump dizer que roubaram o petróleo dos Estados Unidos. Ou argumentar que a Venezuela não pagou… Mas o petróleo continua sendo da Venezuela. O que existe é um contrato que pode não ter sido cumprido.

[A Venezuela realizou a nacionalização do petróleo em 1976, criando a estatal PDVSA. Durante o governo de Hugo Chávez, a medida foi ampliada com a promulgação de uma lei, em maio de 2007, que determinou o controle nacional na produção da zona do Orinoco, onde existe uma das maiores concentrações de petróleo do planeta. A maioria das empresas estrangeiras que exploravam petróleo ali teria aceitado fazer um acordo com o governo Chávez, ficando como sócias minoritárias do Estado venezuelano. Mas as empresas americanas ExxonMobil e ConocoPhilips decidiram deixar o país sul-americano e cobraram compensações financeiras pelas consequências da nacionalização.]

Mas isso é muito diferente. Evidentemente, Trump não sabe muito de história, porque não sabemos se ele se refere à nacionalização dos anos 1970 ou se faz referência aos contratos posteriores durante o chavismo, quando foi feito um contrato e sabemos que só foi paga uma parte.

Quer dizer que a Venezuela deve ainda certo dinheiro a estas companhias. Então, é bom que Maduro tenha saído, mas o problema é que o chavismo continua.

Entendo que Trump não queira colocar María Corina no poder porque ela tem o apoio dos venezuelanos.

Ela, então, tem muito mais possibilidade de ação porque tem o apoio do povo venezuelano.

Delcy Rodríguez não tem esse respaldo. E ela depende da máfia chavista…

BBC News Brasil – Ou dos Estados Unidos…

Erick Langer – Exato. Vai depender dos Estados Unidos, mas é o povo, realmente, o dono do que está debaixo da terra [petróleo], não os Estados Unidos.

Ou seja, [Trump] não quer a María Corina porque ela não é tão manipulável como Delcy Rodríguez apesar de, claramente, María Corina também querer abrir o mercado para empresas de petróleo de fora e etc…

BBC News Brasil – O senhor falou em “colônia”. Por quê?

Erick Langer – Porque os Estados Unidos querem transformar a Venezuela em um país dependente dos Estados Unidos, através do petróleo venezuelano.

Tudo indica que, para Trump, não importa o regime que esteja lá na Venezuela.

Ou seja, a ditadura chavista pode continuar, mudando apenas de nome, e com o mesmo sofrimento do povo venezuelano.

É o que podemos ler de tudo o que Trump disse até agora.

Mas Trump não se expressa muito bem, o que deixa mais difícil entender o que vai acontecer a partir de agora.

Mas acho que o acordo é assim: se vocês não nos derem o que queremos, que é o petróleo, voltaremos a atacar novamente.

Todo o demais fica igual, porque ele disse que não haverá presença norte-americana [no país caribenho]. Que os Estados Unidos vão administrar a Venezuela, mas sem seu pessoal na Venezuela. Algo difícil de se fazer.

Suponho que ele vá fazer isso através dos próprios chavistas [que estão no governo]. Ou seja, os chavistas têm um campo amplo para fazer o que estão fazendo desde que mandem petróleo para os Estados Unidos.

Hoje mesmo [domingo, 04/01, à noite], depois do sequestro de Maduro, a situação politica não mudou.

O chavismo continua no poder. O Exército [venezuelano] parece continuar na mesma linha e com seus arranjos de corrupção. Com o que existe há tempos nas Forças Armadas de Venezuela. Ou seja, as únicas mudanças que ocorreram foram: Maduro não está mais na Venezuela, agora está nos Estados Unidos.

Os venezuelanos que moram na Venezuela estão confusos, não sabem o que fazer…

Eu acho que o que María Corina deveria fazer é mobilizar as pessoas e assumir o poder, com a parte do Exército que não quer continuar com isso….

BBC News Brasil – Com Edmundo González ou sem Edmundo González [candidato da oposição, apoiado por María Corina, que disputou as eleições presidenciais contra Maduro em 2024]?

Erick Langer – Obviamente, não sou conselheiro de María Corina e não sei o que ela vai fazer.

Mas o que eu faria, no lugar dela, seria chamar manifestações e assumir a Presidência… Porque com María Corina na presidência, Trump não voltaria a invadir a Venezuela.

Mas aos Estados Unidos não interessa, neste momento, ter um governo legítimo na Venezuela. O objetivo é pegar o petróleo e ter um país supostamente amigo, pelo menos na cúpula, e o restante não interessa….

No meu entender, e aqui estou especulando, os Estados Unidos não parecem querer uma democracia.

Uma democracia significa que haverá voto também sobre o que acontecerá com o petróleo.

BBC News Brasil – O senhor acha que o que acontece na Venezuela gera incerteza também nos outros países da nossa região?

Erick Langer – Claro que sim. Os Estados Unidos são agora o inimigo, o que pode mudar situações… Mas existe uma grande diferença.

À exceção de Nicarágua e de Cuba, não há nenhum governo que não tenha o respaldo popular.

Quer dizer que todos os demais foram eleitos democraticamente e tirá-los seria muito mais difícil.

Por exemplo, Trump citou Petro [Gustavo Petro, presidente da Colômbia, a quem Trump já atacou em diversas ocasiões], especificamente, e até usando uma expressão vulgar.

Se ele quiser tirar Petro, até pode ser, mas a Colômbia viraria um caos.

A Colômbia tem um histórico, muita experiência de guerrilha… Seria mais difícil uma ação militar dos Estados Unidos. Na Venezuela, é outra situação.

BBC News Brasil – O senhor acha que Cuba passou a ficar ainda mais na mira dos Estados Unidos?

Erick Langer – Isso é o que Marco Rubio [secretário de Estado dos EUA, equivalente a um ministro das Relações Exteriores] adoraria. Marco Rubio é…

BBC News Brasil- Ele é de família cubana…

Erick Langer- De cubanos que chegaram nos Estados Unidos antes que Fidel Castro tomasse o poder. Rubio se sente muito identificado [com suas raízes cubanas].

Sim, acho que é uma possibilidade, mas tenho certeza que a resistência militar cubana seria mil vezes maior que na Venezuela.

Na verdade, na Venezuela, acho que Delcy Rodríguez e Diosdado Cabello [um dos quadros fortes do chavismo] fizeram um acordo e traíram Maduro.

BBC News Brasil – Pela recompensa que os Estados Unidos ofereceram de US$ 50 milhões por informações sobre o paradeiro de Maduro?

Erick Langer – Não acho que foi pela recompensa. Mas para ficar com o poder. Eles já têm dinheiro suficiente. E fica claro que neste acordo [para a “entrega” de Maduro] que o combinado era que María Corina não assumisse o poder.

Acho que este foi um dos motivos para que María Corina e Edmundo González não assumissem a Presidência, como deveria ter sido.

BBC News Brasil – Cuba recebe hoje ajuda da Venezuela, do México e da China, que tem investimentos no país, por exemplo, na área de energia limpa. Na sua visão, o que poderia estar nos planos dos Estados Unidos [para Cuba]? Uma ação como a que foi feita na Venezuela para a retirada de Maduro?

Erick Langer – Acho que não. Mas sim um estrangulamento econômico ainda maior por parte dos Estados Unidos.

O que de fato vai acontecer é uma pressão ainda maior contra o México para que não substitua a Venezuela [na ajuda dada a Cuba] porque, nos últimos tempos, o México tem enviado petróleo para Cuba porque a Venezuela não pode, porque não tem produção suficiente.

Ou seja, agora [os Estados Unidos] aumentarão a pressão contra Claudia Sheinbaum [presidente do México] para que ela não mande mais petróleo para Cuba, para que a crise cubana seja ainda pior, arrochando ainda mais o regime comunista cubano.

BBC News Brasil- O senhor concorda que Trump está buscando ter maior influência e poder no hemisfério americano desde que retornou em janeiro à Casa Branca? Porque foi a partir daquele momento que ele passou a olhar mais para o continente e especialmente para a América do Sul.

Erick Langer – Acho que a visão de Trump é em termos de esfera de poder, como tinha Hitler, por exemplo. [A ideia de que] “essa parte de terra é minha”.

Já a Rússia pode fazer o que quiser [na disputa] pela Ucrânia, que os chineses tenham a Ásia e não tem problema, enquanto nós [dos EUA] ficamos com todo o hemisfério americano.

BBC News Brasil- Qual o papel do Brasil nesta conjuntura? O presidente Lula condenou a ação dos Estados Unidos na Venezuela e vinha mantendo diálogo com Trump, nos últimos tempos, depois do tarifaço imposto aos produtos brasileiros. O Brasil é o maior país da América Latina, mas não conseguiu desencorajar a ação dos Estados Unidos na Venezuela.Qual é sua visão?

Erick Langer – O Brasil é o grande contrapeso contra Trump. Claro que ele lamenta que Bolsonaro tenha sido preso. Mas o Brasil tem um papel muito importante.

Desde Obama, com Lula, principalmente, o Brasil passou a responder pela América do Sul.

Mas isso agora mudou porque Trump não vai permitir que isto ocorra, como fizeram Obama e Biden [Barack Obama e Joe Biden, ex-presidentes democratas dos EUA].

BBC News Brasil- Há muita preocupação regional. Qual é a sua expectativa em relação ao que pode acontecer na Venezuela e nos demais países da América do Sul?

Erick Langer – É sempre difícil prever o futuro. Mas o fato é que Trump mudou o cenário que existia desde a Guerra Fria. Isso significa se meter cada vez mais e mais na América Latina, no Oriente Médio, voltando-se agora para a China…

Acho que isso vai prejudicar os próprios americanos, se continuar assim.

E não convém, de nenhuma maneira, para a América Latina, porque com o objetivo de explorar os recursos econômicos…

Mas existe um fator essencial que é a China. É preciso ver como a China vai reagir.

Hoje, a China é o principal sócio econômico da maioria dos países da América Latina e não tem como ir contra a nova doutrina Trump ou “donroe” [uma combinação do nome de Donald Trump com a doutrina Monroe, que defendia a primazia dos EUA no continente americano].

Porque o que a China fez, de forma inteligente, foi atuar na área econômica, comercial e não na área militar… E sabendo muito bem que não tinha condições de competir com os Estados Unidos em termos de poder.

O teste é a Venezuela, porque a China tem investimentos na Venezuela.

O que vai acontecer com estas companhias chinesas quando Trump disser “o petróleo é nosso”, “para nossas companhias”?

Vamos ver como esta relação [entre EUA e China] ficará [depois da operação militar americana na Venezuela].

Só se a China disser: “Ok, vocês ficam com a Venezuela, mas nós pegamos Taiwan”.

BBC News Brasil – O que está em jogo é um novo desenho geopolítico….

Erick Langer- Sim, uma nova estrutura econômica no mundo inteiro. Com estas ações na Venezuela, as primeiras peças [do novo desenho geopolítico] já estão em movimento.

BBC News Brasil – O senhor citou a doutrina Monroe. É possível fazer algum paralelo entre o que aconteceu com Maduro e o que ocorreu com o ex-presidente da Venezuela Cipriano Castro (1858-1924), que foi deposto e morreu no exílio, e em seu lugar assumiu seu vice?

Erick Langer- A diferença é que Juan Vicente Gómez [que tomou o poder de Cipriano Castro] pôde consolidar seu poder rapidamente, sob um regime que também não foi muito popular.

Mas era outro contexto, porque Venezuela é hoje, economicamente, outro país.

A Venezuela foi um país democrático durante cinquenta anos, e antes de [Cipriano] Castro e Gómez, não foi. Era uma oligarquia no poder.

Então, toda a situação de como se governa um país e a legitimidade popular necessária agora, com essa complexidade das sociedades atuais, é bem diferente do que se viveu no século 19, quando a Venezuela era um país principalmente rural, dependia do café, do cacau, da carne….

BBC News Brasil – Agora é o petróleo.

Erick Langer – Sim e a Venezuela é o país mais urbano da América Latina. O problema agora é que Trump quer estabelecer uma colônia econômica, e isso não é tão fácil.

Mas um eventual acordo de Trump com os chavistas [que ficaram na cúpula de Caracas] não é sustentável no longo prazo.

Os venezuelanos não vão permitir isso, e o mais provável é que acabem ocorrendo novas eleições…

BBC News Brasil – Muitas incertezas.

Erick Langer- O chavismo ainda tem o apoio de cerca de 20%, 30% da população.

Na verdade, não se sabe exatamente. Muitos dos que nas últimas eleições votaram pelos chavistas foram obrigados a votar neles. Sei porque tenho conhecidos na Venezuela.

BBC News Brasil – Neste ano, 2026, serão realizadas eleições no Peru, na Colômbia, no Brasil, no Haiti e na Costa Rica. Depois do que ocorreu na Venezuela, Trump poderá buscar influenciar nestes pleitos — como a oposição em Honduras, por exemplo, diz ter ocorrido na eleição recente no país?

Erick Langer – Tenho certeza de que Trump vai se meter, quando puder. Mas acho que os povos não se deixam vender. Mas claro que temos que pensar no que aconteceu com Milei [Javier Milei, presidente da Argentina, nas eleições legislativas de outubro passado], quando os Estados Unidos anunciaram ajuda de US$ 20 bilhões.

Não entendo muito bem por que os argentinos votaram como votaram [ampliando a participação da base governista de Milei no Congresso].

Acho que o eleitorado não via alternativas porque o peronismo está muito desgastado para boa parte da população do país. No caso do Peru, acho que a classe política não tem muita presença popular…

Mas no Peru a economia funciona bem, apesar da instabilidade política já tradicional — porque os presidentes costumam durar pouco tempo no cargo, além de perderem a popularidade rapidamente.

BBC News Brasil – No Peru, existe uma espécie de divórcio entre o caminhar da economia e o que ocorre na cúpula da política, com quedas seguidas de presidentes…

Erick Langer – Exato. Já na Colômbia, é outro cenário. A divisão entre direita e esquerda é proporcionalmente quase igual. Quem vai ganhar e como vai ganhar a eleição presidencial, não sei, porque depende do papel de Petro, e acho que as opiniões estão muito divididas.

BBC News Brasil – E em relação às eleições no Brasil? Na sua opinião, pode ocorrer alguma forma de influência de Trump?

Erick Langer – Com certeza. Não tenho a menor dúvida. E acho que a interferência dos Estados Unidos na vida política brasileira não vai favorecer os partidos da direita, porque isto servirá como arma para o nacionalismo dos demais.

E claro que, se Lula continuar sendo forte e se continuar assim, muito contido com o que aconteceu na Venezuela — porque, na verdade, foi muito contido —, esta calma continuará sendo uma potência contra [a direita].

O único que é grande o suficiente para parar [Trump] e dizer “chega” aos Estados Unidos é o Brasil.

 

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