Desespero em ligação, andar atingido por avião e corpos vaporizados: quem eram os três brasileiros mortos no 11 de Setembro

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Desespero em ligação, andar atingido por avião e corpos vaporizados: quem eram os três brasileiros mortos no 11 de Setembro
Anne Marie Sallerin Ferreira, Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa e Sandra Fajardo Smith, os três brasileiros oficialmente reconhecidos entre as vítimas do 11 de Setembro. Crédito: (Fotos: Reprodução/Legacy.com e Voices Center for Resilience)

Às 8h46 de 11 de setembro de 2001, Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa, Anne Marie Sallerin Ferreira e Sandra Fajardo Smith já estavam no trabalho. Os três brasileiros haviam construído carreiras em Nova York e ocupavam escritórios nos andares mais altos da Torre Norte do World Trade Center.

Naquela manhã de céu aberto, o voo 11 da American Airlines atingiu o edifício entre o 93º e o 99º andar. O impacto interrompeu as rotas de saída dos pavimentos superiores e transformou uma jornada comum de trabalho nos últimos momentos de quase 1.400 pessoas que estavam acima ou na região da colisão.

Ivan, Anne Marie e Sandra figuram entre os três brasileiros oficialmente reconhecidos como vítimas dos ataques. Tinham entre 29 e 37 anos, trabalhavam no mercado financeiro e deixaram familiares à espera de notícias que nunca chegaram.

Famílias esperaram notícias

Após o desabamento, parentes dos brasileiros iniciaram uma busca marcada por telefonemas, informações desencontradas e listas improvisadas de sobreviventes. Hospitais receberam milhares de consultas, enquanto famílias percorriam centros de atendimento e tentavam reconhecer rostos em fotografias.

A ausência de corpos prolongou a espera. Durante vários dias, qualquer informação alimentava a possibilidade de que Ivan, Anne Marie ou Sandra estivessem feridos e ainda não tivessem conseguido entrar em contato.

Com o passar do tempo, a esperança cedeu lugar à constatação da morte. Para as famílias, o luto começou sem despedida, sepultamento ou a recuperação dos restos mortais de seus parentes.

Os ataques mataram 2.977 pessoas em Nova York, no Pentágono e na Pensilvânia, sem contar os 19 sequestradores. Desse total, 2.753 morreram no World Trade Center e nas áreas próximas.

Dois nomes ausentes

A contagem oficial brasileira, entretanto, não encerra completamente essa história. Nilton Albuquerque Fernão Cunha e Claudino Antunes Braga também desapareceram depois dos ataques, mas seus nomes não integram a relação reconhecida pelo memorial.

Nilton era engenheiro, tinha 41 anos e estaria no 108º andar da Torre Norte. A família recebeu formulários para fornecer dados que ajudariam na identificação genética, mas não enviou amostras de DNA. Sem essa etapa, as autoridades não formalizaram sua inclusão na lista.

Claudino, por sua vez, tinha 48 anos e havia entrado de maneira irregular nos Estados Unidos. Pouco antes do atentado, contou a um primo que trabalhava como engraxate no complexo. A mulher e os três filhos, que desconheciam sua viagem, nunca mais tiveram notícias dele.

Uma apuração publicada pela Folha de S.Paulo mostrou que ambos continuam fora dos registros oficiais. Assim, enquanto Ivan, Anne Marie e Sandra receberam homenagens no memorial, Nilton e Claudino permanecem em uma espécie de ausência documental.

Vinte e cinco anos depois, recordar os brasileiros mortos no 11 de Setembro significa recuperar os projetos, os afetos e as famílias que existiam antes daquela manhã. Os nomes gravados em Nova York pertencem a pessoas que atravessaram fronteiras em busca de oportunidades e tiveram suas trajetórias interrompidas no lugar onde planejavam construir o futuro.

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