O dólar à vista registrou forte alta nesta sexta-feira (30/1), depois de uma sequência de desvalorizações frente ao real. Ele apresentou alta de 1,06%, cotado a R$ 5,24. Na véspera, a moeda americana havia caído 0,22%, a R$ 5,19, o menor valor em 20 meses.
O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), também perdeu força no último pregão de janeiro. Às 16h40, ele operava em queda de 1,04%, aos 181.232,78 pontos.
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o movimento do câmbio no Brasil acompanhou a valorização global da moeda americana, depois da indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). “Ela foi interpretada pelo mercado como um sinal de preservação da independência do BC americano e como um sinal de menor probabilidade de cortes agressivos de juros”, diz.
O analista observa que o índice DXY, que compara o desempenho da moeda dos EUA com outras seis divisas importantes (iene, euro, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço), também avançou na sessão. “Isso impulsionou uma correção relevante em ativos que vinham se beneficiando da narrativa de enfraquecimento estrutural do dólar”, afirma. “O ouro recuou mais de 11% e a prata despencou cerca de 31%, depois de ralis fortemente especulativos.”
Realização de lucros
Shahini observa que, nesse ambiente de piora do humor externo e ajuste de posições, o real acompanhou o fortalecimento do dólar frente a divisas desenvolvidas e emergentes. “A realização de lucros recentes tanto no Ibovespa quanto no câmbio também contribuiu para o aumento da moeda americana no pregão”, conclui.
O real, contudo, apresenta neste ano forte valorização sobre o dólar. De acordo com estudo da consultoria Elos Ayta, ele ficou em segundo lugar no ranking de valorização em relação à divisa americano em janeiro, num total de 28 moedas analisadas.









