DOHA (CATAR) – As forças armadas dos Estados Unidos colocaram sistemas de mísseis Patriot em lançadores móveis na base aérea de Al-Udeid, no Catar — a maior instalação norte-americana no Oriente Médio —, conforme análise de imagens de satélite. A medida, adotada desde janeiro, aumenta a mobilidade dos equipamentos, permitindo reposicionamento rápido em caso de ataque ou necessidade de defesa, à medida que as tensões com o Irã continuam a subir.
A decisão de utilizar plataformas móveis em vez de estações semiestáticas reforça o cenário de alerta na região. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado ações militares contra o Irã, citando preocupações com os programas nuclear e de mísseis balísticos do país, seu apoio a grupos aliados na região e a repressão à dissidência interna. Mesmo assim, negociações para evitar um conflito armado permanecem em andamento.
O Irã, por sua vez, já alertou que retaliaria contra qualquer base norte-americana no caso de ataques ao seu território. A Guarda Revolucionária iraniana afirma ter reabastecido seus estoques de mísseis após o conflito de verão passado, quando Israel bombardeou instalações nucleares e militares do país, com adesão tardia dos EUA. O país possui complexos de mísseis subterrâneos em diversas regiões, incluindo áreas próximas a Teerã, Kermanshah, Semnan e a costa do Golfo. Além disso, o porta-drones naval IRIS Shahid Bagheri foi identificado em fotografias de satélite nas proximidades de Bandar Abbas em 27 de janeiro e novamente em 10 de fevereiro.
Aumento de equipamentos militares registrado em imagens
William Goodhind, analista forense de imagens da Contested Ground, destacou que comparações entre fotografias de janeiro e início de fevereiro mostram crescimento no número de aeronaves e equipamentos em bases norte-americanas pela região. Em Al-Udeid, os mísseis Patriot foram vistos em caminhões táticos HEMTT M983 no início do mês.
“Essa medida confere aos sistemas uma mobilidade muito maior, permitindo que sejam movidos para locais alternativos ou reposicionados com mais agilidade”, explicou o especialista. Não há confirmação se os equipamentos permanecem nos veículos desde a terça-feira (10), e um porta-voz do Pentágono não se dispôs a comentar sobre o assunto imediatamente.
Os EUA mantêm bases militares no Iraque, Jordânia, Kuweit, Arábia Saudita, Catar, Barein, Emirados Árabes Unidos, Omã, Turquia e em Diego Garcia, no Oceano Índico. Dados de satélite apontam aumentos em diversas instalações:
-Al-Udeid (Catar): Em 1º de fevereiro, havia uma aeronave de reconhecimento RC-135, três C-130 Hercules, 18 KC-135 Stratotankers e sete C-17s — contra 14 Stratotankers e dois C-17s registrados em 17 de janeiro. Até 10 sistemas Patriot estavam em lançadores móveis.
-Muwaffaq (Jordânia): Em 2 de fevereiro, um local contava com 17 caças F-15E, oito A-10 Thunderbolt, quatro C-130 e quatro helicópteros não identificados. Em um segundo ponto da base, foram vistos um C-17, um C-130 e quatro aeronaves de guerra eletrônica EA-18G Growler — equipamentos não detectados em imagens de 25 de janeiro.
-Outras bases: Na Arábia Saudita (Príncipe Sultan), imagens de fevereiro mostraram um C-5 Galaxy e um C-17, enquanto em dezembro havia cinco aeronaves similares a C-130. Em Diego Garcia, foram registradas sete aeronaves a mais em 6 de fevereiro do que em 31 de janeiro. Já na base de Dukhan, em Omã, houve aumento no número de equipamentos entre 25 de janeiro e 10 de fevereiro.










