Erfan Soltani, homem detido durante os protestos que eclodiram no Irã, que segundo ONGs e o governo dos Estados Unidos enfrentava uma execução iminente, não foi condenado à pena de morte nem está sujeito a ela, informou nesta quinta-feira, 15, o poder judiciário do país.
Soltani está preso em Karaj, perto de Teerã e é acusado de propaganda contra o regime islâmico vigente e de agir contra a segurança nacional, segundo as autoridades.
O jovem “não foi condenado à morte” e, em caso de condenação, “a punição, de acordo com a lei, será uma pena de prisão, porque a pena de morte não se aplica a tais acusações”, indicou o comunicado.
Segundo informações divulgadas pela ONG Hengaw Organization for Human Rights, Soltani havia sido sentenciado por Moharebeh, chamada de “inimizade contra Deus”, considerada de alta gravidade e passível de pena de morte.
Conforme a ONG, após a prisão, ele passou por um julgamento acelerado, sem direito à presença de advogados, sem acesso a direitos básicos e com pouca transparência. Sua família, segundo a entidade, ficou dias sem qualquer informação sobre o jovem.
Na quarta-feira, 14, a instituição comunicou que a execução havia sido adiada sem nova data prevista.
Protestos e mortes
As forças de segurança do Irã mataram pelo menos 3.428 manifestantes na repressão aos protestos, informou, na quarta-feira, a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, acrescentando que mais de 10.000 pessoas foram detidas.
A organização explicou que esse aumento no número de óbitos se deve a novas informações dos Ministérios da Saúde e da Educação do Irã, e que a maioria das mortes, aproximadamente 3.379, ocorreu durante o auge dos protestos, entre 8 e 12 de janeiro.
A revolta começou como manifestações relativamente modestas sobre problemas econômicos, mas quando as passeatas se transformaram em um movimento de massa, o governo iniciou uma repressão mortal. /AFP









