Segundo informações da agência Reuters, a candidata conservadora Keiko Fujimori conquistou uma margem de votos considerada praticamente irreversível no segundo turno das eleições presidenciais peruanas, registrada na noite da última terça-feira. Esse cenário a coloca em posição favorável para assumir o comando do país.
Fujimori — que disputa a presidência pela quarta vez e é filha do ex-presidente Alberto Fujimori — alcançou 50,11% dos votos apurados até o momento. Já seu adversário, o candidato de esquerda Roberto Sánchez, soma 49,88%. Os números, divulgados pelo órgão eleitoral nacional ONPE, mostram uma diferença de 43.386 votos entre os dois, enquanto restam apenas 40.213 cédulas a serem contabilizadas.
A declaração oficial do vencedor ainda não foi feita e deve ocorrer somente em meados do próximo mês, conforme o cronograma da autoridade eleitoral.
Caso confirmada, a vitória de Fujimori marca mais um avanço de forças de direita na América Latina, movimento que ganhou força recentemente com a eleição de Abelardo De La Espriella na Colômbia, no último domingo. Analistas apontam que o aumento da criminalidade tem levado grande parte do eleitorado a apoiar propostas mais rígidas de segurança pública.
A disputa, porém, segue cercada de tensão. Na terça-feira, Sánchez passou a afirmar que haveria fraude no processo, sem apresentar provas concretas, e declarou que não reconhecerá os resultados finais — uma postura que pode agravar a instabilidade política já existente no país.
O candidato de oposição havia pedido a anulação de milhares de votos registrados por eleitores que moram fora do território peruano, uma parcela que tem favorecido majoritariamente a campanha de Fujimori. O recurso, no entanto, foi negado pelo júri eleitoral nacional ainda na mesma noite.
A demora na divulgação dos números finais ocorre em razão da análise de votos impugnados, do recebimento tardio de cédulas vindas do exterior e da própria proximidade entre as votações dos dois candidatos.
Se assumir o cargo, Fujimori enfrentará um cenário de grandes desafios: o Peru teve oito presidentes diferentes em apenas oito anos, nenhum dos quais conseguiu cumprir o mandato completo. Três deles foram afastados por processo de impeachment, um renunciou após apenas seis dias de governo e quatro estão atualmente presos. Seu próprio pai, Alberto Fujimori, ficou 16 anos detido por crimes contra os direitos humanos cometidos durante sua gestão na década de 1990.
Durante esta campanha, diferente de eleições anteriores, Keiko Fujimori deixou de se distanciar da trajetória do pai e passou a adotar sua imagem como referência. Ela tem se apresentado como uma líder firme, capaz de restabelecer a ordem e a estabilidade, em um momento em que a população está preocupada com o crescimento de casos de extorsão e homicídios em todo o país.












