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‘Maior evento político em 20 anos na Venezuela’ redefine cenário latino-americano, diz especialista

A operação militar norte-americana que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, anunciada por Donald Trump na madrugada deste sábado (3), é considerada por analistas como o episódio mais importante das últimas duas décadas na política do país. Para Eduardo Rios, doutor em ciência política e especialista em Venezuela, o contexto que levou à ação é marcado por “anos de desgaste do chavismo e crescente pressão internacional”.
“É o momento político mais relevante dos últimos 12, senão 20 anos. O chavismo vem perdendo força eleitoral há mais de uma década, enquanto a oposição cresce. Essa dinâmica culminou na vitória oposicionista em eleições que o governo não reconheceu”, explica Rios.
Segundo o especialista, a pressão internacional começou de forma diplomática, mas ganhou caráter militar após a vitória de Trump nas eleições presidenciais norte-americanas. “Desde setembro, a escalada foi clara”, afirma
Do ponto de vista militar, dois aspectos chamam atenção: a facilidade com que helicópteros dos EUA realizaram a operação e a captura aparentemente sem resistência de Maduro. “Ele havia adquirido mísseis russos, mas nada funcionou. A preparação das forças venezuelanas era mínima para um cenário que parecia previsível”, avalia o especialista. Questionado se Maduro poderia ter se entregado, Rios lembra declarações ambíguas do chavismo:
“Há quem diga que ele deu a vida pela paz, mas o discurso oficial insiste em exigir prova de vida, sinal de que não há consenso sobre quem será o sucessor”.
Trump prometeu detalhar o destino de Maduro em coletiva ainda neste sábado (3). A expectativa é que ele seja levado a julgamento nos EUA por crimes como narcotráfico, lavagem de dinheiro e violações de direitos humanos. “Será um caso à la Al Capone: não por um único crime, mas por um conjunto de acusações que permitem enquadrá-lo na legislação norte-americana”, diz Rios.
Cenário “incerto”
Sobre o futuro político, o cenário é incerto. A oposição, liderada por María Corina Machado e Edmundo González, vencedor das eleições contestadas de 2024, afirma estar pronta para assumir, mas não há articulação concreta. “Eles não foram os instigadores da operação, embora tenham pedido intervenção. Do lado chavista, reina o impasse: ninguém quer se apresentar como sucessor, sob risco de retaliação dos EUA ou de provocar uma guerra interna”, analisa.
Para Rios, três hipóteses estão sobre a mesa: uma figura consensual do chavismo assume; o regime negocia uma transição; ou o chavismo implode, abrindo espaço para a oposição em meio a um vácuo de poder. “É um momento delicadíssimo, sem caminho claro para ninguém. Não é a transição típica das ditaduras latino-americanas dos anos 1970 e 80. Foi imposta de fora, por força militar, e isso torna tudo imprevisível”, conclui.








