O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama deu uma longa entrevista sobre democracia, polarização e os rumos do Partido Democrata ao podcaster Brian Tyler Cohen, mas o que roubou a cena nas redes sociais foi um trecho mais leve em que ele fala sobre alienígenas e a famosa Área 51.
Depois de quase uma hora discutindo temas densos, incluindo o vídeo racista publicado pelo atual chefe do executivo americano, Donald Trump, Cohen decidiu fazer um “lightning round”, ou seja, uma rodada rápida de perguntas mais descontraídas.
“Aliens são reais?”, questionou o apresentador. Obama respondeu: “Eles são reais, mas eu não os vi.” Depois, completou que “eles não estão sendo mantidos na… como é mesmo? Área 51?”. O ex-presidente explica que não há nenhuma instalação subterrânea, a menos que exista uma enorme conspiração e tenham “escondido isso do presidente dos Estados Unidos”.
A resposta, claramente bem-humorada, não parece ter sido uma revelação sobre vida extraterrestre, mas uma forma espirituosa de lidar com uma das teorias da conspiração mais persistentes dos EUA.
O que é a Área 51 e por que ela gera teorias?
A Área 51 é uma instalação militar altamente restrita localizada no deserto de Nevada. Durante décadas, o governo americano sequer reconhecia oficialmente sua existência. O local é associado ao desenvolvimento de aeronaves experimentais e tecnologias militares secretas.
O sigilo em torno da base, combinado com relatos de objetos voadores não identificados (OVNIs) desde a Guerra Fria (1947 – 1991), alimentou teorias de que o governo esconderia naves ou corpos extraterrestres no local. Apesar da cultura pop ter transformado a Área 51 em sinônimo de conspiração alienígena, nunca houve evidência pública que sustente essas alegações.
Outros assuntos abordados na entrevista
Embora o trecho sobre alienígenas tenha dominado as redes sociais, o eixo central da conversa foi o estado atual da democracia americana e o que Obama considera um momento de “teste” para os valores do país.
Logo no início, Cohen questiona o que descreve como a deterioração do discurso público nos Estados Unidos, citando ataques pessoais e a normalização de comportamentos antes considerados inaceitáveis. Obama reconhece a gravidade do momento, mas faz uma distinção importante: a barulheira das redes sociais não representa, segundo ele, a maioria do povo americano.
Para o ex-presidente, há um “espetáculo de palhaços” dominando parte da mídia e do ambiente digital, mas, ao viajar pelo país, ele diz encontrar pessoas que ainda acreditam em “decência, cortesia e gentileza”. A resposta para a crise institucional, afirma, não virá apenas de lideranças políticas, mas da mobilização cidadã.
Ele citou como exemplo recente a reação de comunidades a ações federais controversas em Minneapolis e St. Paul, destacando que o que mais chamou a atenção não foi apenas a indignação, mas a organização. Vizinhos ajudando famílias, professores defendendo alunos, protestos pacíficos e vigilância cívica. “Estamos sendo testados”, disse, sugerindo que valores como liberdade de expressão e respeito ao próximo só se comprovam quando estão sob ameaça.
Só depois de quase uma hora de discussões densas veio a rodada rápida de perguntas, que incluiu o questionamento sobre aliens e a Área 51. O momento viralizou, mas funcionou como contraponto a uma entrevista predominantemente séria.









