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Situação na fronteira com a Venezuela “nunca foi tão tranquila”, diz ministro da Defesa

O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou neste sábado, 3, que a fronteira da Venezuela com o Brasil nunca esteve tão tranquila. A fala foi feita ao final da reunião que contou com a participação da ministra interina de Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, e de outras autoridades após os ataques dos EUA contra a Venezuela.
“A situação na fronteira nunca esteve tão tranquila quanto está hoje. Movimento mínimo, é como se fosse um feriadão. Até o movimento de automóveis é o mínimo possível, de maneira que está tudo calmo e as fronteiras estão abertas. Brasileiro que está lá pode vir”, disse o ministro.
Assim como já havia sido informado pela manhã, Maria Laura reiterou que não há registro de brasileiros feridos ou detidos no país. Ela ainda destacou que um grupo de turistas conseguiu deixar em segurança o país neste sábado. “Inclusive, temos a informação de que 100 brasileiros que estavam em turismo saíram tranquilamente. A situação está tranquila”, explicou.
Maria Laura da Rocha também confirmou que o governo brasileiro irá participar participar da reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir sobre a operação dos Estados Unidos na Venezuela. O encontro foi marcado para segunda-feira, 5.
Além de Maria Laura e Múcio, também participaram da reunião o ministro-chefe da Casa Civil, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o ministro da Justiça e Segurança Pública, a embaixadora do Brasil em Caracas, além de representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério das Relações Exteriores.
Captura de Maduro
O ataque promovido pelos Estados Unidos à Venezuela culminou na captura do chefe de Estado venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O bombardeio aéreo ocorreu em pontos de Caracas, capital da Venezuela, e também nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, a partir das 2h (6h de Brasília). O Fuerte Tiuna, o maior complexo militar do país e sede do Ministério da Defesa, foi visto em chamas após os ataques.
A informação foi confirmada em sua rede social, a Truth Social.”Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos”.
Maduro e esposa foram levados de avião até os EUA, onde desembarcaram no início da noite deste sábado. Enquanto isso, as ruas de Caracas foram tomadas por grupos a favor e contra Maduro. Vídeos publicados nas redes sociais mostram um grupo do regime venezuelano agindo em defesa de Maduro. É possível ver um grupo de motoqueiros encapuzados e portando armas. Eles são conhecidos como civis “em defesa da revolução bolivariana”.
O presidente norte-americano fez um pronunciamento por volta das 13h30, no qual afirmou que os EUA ‘irão administrar’ a Venezuela e que empresas americanas vão passar a atuar na indústria petrolífera do país, que ele alegou ter sido “roubada dos EUA”, e gastarão bilhões de dólares para consertar a infraestrutura que “está altamente destruída”.
Mais cedo, Lula afirmou que é uma afronta gravíssima à soberania’, em um comunicado publicado no X. “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu.
Lula declarou que atacar países, “em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, e reforçou que o Brasil mantém a posição de condenar o uso de força em situações recentes em outros países e regiões.
“A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, declarou. O chefe de Estado brasileiro também enfatizou que comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. “O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, finaliza.








