A elevação de tarifas globais anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para 15% nesta tarde de sábado (21) impulsionou a priorização do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou que a votação deve ocorrer na próxima semana, em um movimento para garantir previsibilidade às relações comerciais do Brasil.
“Com as incertezas acerca da imposição de tarifas pelos Estados Unidos, resta ao Brasil lutar pela previsibilidade nas relações comerciais internacionais. Por isso, priorizaremos a votação do acordo Mercosul-UE para a próxima semana”, afirmou Motta em postagem no X (antigo Twitter).
O projeto será relatado no plenário pelo deputado Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos e ex-ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.
Anúncio de Trump acelera pauta
A declaração de Motta foi publicada minutos após Trump anunciar, pela rede social Truth Social, o aumento imediato da tarifa mundial de 10% para 15% – um patamar que classificou como “totalmente permitido e legal testado”.
“Nos próximos meses, o governo Trump determinará e emitirá as novas tarifas legalmente permitidas, que darão continuidade ao nosso processo extraordinariamente bem-sucedido de tornar a América grande novamente”, completou o presidente norte-americano.
Análise no Congresso teve adiamento
O Congresso Nacional iniciou a análise do acordo no dia 10 deste mês, após a assinatura do tratado em janeiro no Paraguai. Inicialmente, a expectativa era de que a votação ocorresse naquele mesmo dia pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul, mas o processo foi adiado após o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) solicitar pedido de vista.
“Não considerem isso um prejuízo, isso vem em favor de mais debate, mais esclarecimento, para que a sociedade brasileira tome conhecimento da importância do acordo, mas dos desafios que ele estabelece”, justificou Calheiros na ocasião.
Após a análise pela representação mercosulina, o projeto seguirá para votação em plenário da Câmara e, se aprovado, será enviado ao Senado Federal para deliberação. No início do ano, Motta já havia destacado o acordo como uma das prioridades da Casa, com previsão inicial de votação antes do Carnaval.
Acordo tem negociação de quase 25 anos
As negociações entre Mercosul e União Europeia iniciaram em 1999, e o acordo só avançou após conseguir a aprovação no Conselho Europeu. Para a validação, era necessário o apoio de ao menos 15 dos 27 países do bloco, representando 65% da população europeia – o aval da Itália foi fundamental para a formação da maioria favorável.







