WASHINGTON/HAVANA, 12 de janeiro de 2026 — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu ameaças diretas a Cuba neste domingo (11) por meio da rede social Truth Social, afirmando que a ilha deixará de receber o petróleo que vinha da Venezuela após a captura do presidente nicaragüense Nicolás Maduro no dia 3 de janeiro. “Cuba viveu muitos anos com uma grande quantidade de petróleo e dinheiro vindos da Venezuela. Em contrapartida, Cuba fornecia ‘serviços de segurança’ para os últimos ditadores venezuelanos. Agora isso acabou!”, declarou o líder norte-americano.
A Venezuela, historicamente o maior fornecedor de petróleo para Cuba, interrompeu abruptamente o fornecimento após a operação militar norte-americana que resultou na prisão de Maduro, que enfrenta acusações de narcoterrorismo, tráfico de cocaína e posse de armas de fogo nos Estados Unidos, conforme informações da Britannica. Trump afirmou ainda que a maioria dos guarda-costas cubanos de Maduro morreu durante a ação e que “a Venezuela agora tem os EUA, a força militar mais poderosa do mundo (de longe!) pra protegê-los”. Ao final do post, ele deixou um aviso: “Sugiro fortemente que eles façam um acordo antes que seja tarde demais”, sem detalhar o que consistiria tal acordo.
Anteriormente, em 5 de janeiro, Trump já havia declarado a jornalistas a bordo do Air Force One que Cuba “parece estar prestes a cair” sem o apoio petrolífero venezuelano, afirmando que não seria necessário intervir militarmente pois a nação caribenha estaria “indo para o canto dos desempates”. Além disso, neste domingo, o presidente compartilhou uma postagem que brincava com a ideia do secretário de Estado Marco Rubio como presidente de Cuba, comentando: “Parece bom pra mim”.
Em resposta, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, recorreu à rede social X para reafirmar a independência do país. “Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dirá o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos e ela não ameaça, ela se prepara para defender a Pátria até a última gota de sangue”, escreveu.
Díaz-Canel também criticou as acusações de Trump, afirmando que aqueles que culpam a revolução cubana pelas dificuldades econômicas do país “deveriam se calar por vergonha, porque sabem e reconhecem que elas são fruto das medidas de asfixia extrema que os EUA nos aplicam há seis décadas e que agora ameaçam superar”. Ele acrescentou que os Estados Unidos “não têm moral nenhuma para apontar o dedo para Cuba, pois transformam tudo em negócio, até mesmo vidas humanas. Aqueles que agora se revoltam histericamente contra nossa nação estão consumidos pela raiva da decisão soberana deste povo de escolher seu modelo político”.
O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, também se pronunciou, exigindo a libertação imediata de Maduro e sua esposa e classificando os EUA de “hegemon criminoso e fora de controle” que ameaça a paz na região. Desde 2000, Cuba dependia de petróleo subsidiado da Venezuela, acordo firmado com o antecessor de Maduro, Hugo Chávez, e a interrupção do fornecimento agrava a crise energética que já aflige a ilha há dois anos.









