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Trump impõem tarifa de 10% sobre produtos brasileiros em novo pacote comercial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) um novo pacote de tarifas comerciais, denominado “Dia da Libertacão”. A medida impõe sobretaxas recíprocas a produtos importados de países que aplicam barreiras consideradas desproporcionais aos produtos americanos. A decisão representa uma mudança significativa na política comercial dos EUA e aumenta a incerteza sobre o cenário econômico global.
As tarifas variam conforme o país e chegam a até 49% no caso do Camboja, que aplica um percentual de 97% sobre produtos americanos. O Brasil será impactado com uma sobretaxa de 10%.
Durante o anúncio, Trump afirmou que a medida busca fortalecer a indústria dos Estados Unidos. “Hoje é o Dia da Libertacão. Este será lembrado como o dia em que a indústria americana renasceu”, declarou o presidente. Ele ressaltou que, segundo sua avaliação, os EUA enfrentaram décadas de desvantagem comercial devido a tarifas impostas por outros países.
Trump citou tarifas de importação aplicadas por outros blocos econômicos, como os 10% cobrados pela União Europeia sobre veículos fabricados nos EUA. No entanto, não mencionou as tarifas americanas já existentes, como os 25% aplicados sobre caminhões estrangeiros, em contraste com os 2,5% sobre carros importados da Europa.
A nova medida também estabelece uma tarifa de 25% sobre carros e autopeças importados, que entrará em vigor após a meia-noite de quinta-feira (3).
O conceito de tarifas recíprocas
O mecanismo de “tarifa recíproca” tem como princípio a equiparação das taxas: caso um país aplique uma tarifa de 15% sobre um produto americano, os EUA estabelecerão a mesma taxa sobre o produto equivalente desse país. Especialistas apontam que essa abordagem pode gerar insegurança no comércio internacional, além de desconsiderar acordos multilaterais e regras estabelecidas por organismos como a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo Trump, o objetivo das tarifas é equilibrar não apenas os impostos de importação, mas também barreiras não tarifárias, taxas específicas e superávits comerciais elevados. Desde 13 de fevereiro, autoridades do governo americano vêm trabalhando na implementação da medida para atender à ordem presidencial de promover “comércio justo e recíproco”.
