BRASÍLIA – Um vídeo fabricado com inteligência artificial, que mostra supostos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ameaçando invadir os Estados Unidos para libertar Nicolás Maduro, tem sido disseminado nas redes sociais por parlamentares e páginas de orientação de direita. O líder venezuelano foi capturado por forças especiais norte-americanas na madrugada de sábado (3) e deve comparecer a uma audiência no tribunal federal de Nova York nesta segunda-feira (5).
No conteúdo falso, uma figura com roupagem associada ao movimento afirma que “se for preciso, vamos até os EUA para liberar o companheiro Maduro”. Entretanto, o MST negou veementemente qualquer vínculo com a gravação e classificou-a como uma “montagem maliciosa”.
“Reafirmamos o compromisso com a luta pela soberania da Venezuela, que foi atacada pelos EUA. E seguiremos nos mobilizando pela libertação do presidente Nicolás Maduro e Cilia Flores”, destacou o movimento em nota oficial. Além disso, o MST integrou uma frente emergencial de solidariedade ao país sul-americano, junto ao PT, PSOL e outras entidades de esquerda.
Entre os políticos que compartilharam o vídeo como autêntico estão o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e o deputado estadual Delegado Zucco (Republicanos-RS). Ao ser contatado, Zucco informou que não tinha ciência da falsidade do material e removeu a publicação de suas redes sociais. A assessoria de Cleitinho Azevedo não retornou os contatos até o fechamento desta reportagem.
Este não é o primeiro caso em que figuras da direita brasileira são alvo ou disseminadores de conteúdo manipulado por IA. Em dezembro de 2024, um vídeo adulterado com a voz do senador mineiro circulou prometendo benefícios a usuários de cartão de crédito, o que foi negado por sua equipe e pelo Procon-MG. Já Zucco, que preside a CPI do MST na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, já foi investigado pelo STF por suspeitas de incentivo a atos antidemocráticos em 2023.
A disseminação da desinformação ganha proporções preocupantes em meio ao contexto internacional de tensões envolvendo a Venezuela: em julho de 2025, a reeleição de Maduro foi validada pelo Tribunal Supremo de Justiça do país, mas foi rejeitada por Estados Unidos, União Europeia e dez nações latino-americanas, que alegaram fraude eleitoral.









