O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou, nesta quinta-feira (19/2), que não pretende discutir o que chamou de “merdas históricas” como caminho para encerrar o conflito, que se arrasta há três anos no leste europeu.
“Eu não preciso de merda histórica para acabar com esta guerra e avançar para a diplomacia”, declarou o ucraniano nas redes sociais.
Zelensky ressaltou que um eventual encontro com o líder russo, Vladimir Putin, deveria se concentrar exclusivamente no encerramento da guerra e em soluções diplomáticas concretas.
Na visão do ucraniano, não é “útil” debater narrativas históricas sobre as origens do conflito, classificando esse tipo de abordagem como uma “tática de atraso” por parte de Moscou. “Isso é apenas uma tática para ganhar tempo”, afirmou.
“Sei mais sobre o país dele do que ele sabe sobre a Ucrânia”
Volodymyr Zelensky acrescentou, ao longo da mensagem, que tem amplo conhecimento sobre a Rússia e sua sociedade, ao mencionar que esteve em diversas cidades do país e manteve contato direto com a população. Segundo ele, a prioridade deve ser a segurança e a preservação de vidas diante de uma guerra em curso.
“Eu li tantos livros de história quanto Putin. E aprendi muito. Sei mais sobre o país dele do que ele sabe sobre a Ucrânia. Simplesmente, porque estive na Rússia — em muitas cidades. E conheci muita gente lá. Ele nunca esteve na Ucrânia tantas vezes”, declarou.
As declarações reforçam o tom adotado pelo presidente nos últimos dias ao rejeitar as justificativas históricas frequentemente citadas pelo Kremlin.
Recentemente, Zelensky havia afirmado que não tem interesse em discutir as razões históricas apontadas por Vladimir Putin para a invasão, alegando falta de tempo diante da urgência humanitária e militar do conflito.
Moscou insiste que qualquer acordo de paz deve abordar as chamadas “causas profundas” da guerra, incluindo a situação dos falantes de russo na Ucrânia e a aproximação de Kiev com a Otan.
O governo russo também tem destacado a história compartilhada entre os dois países como elemento central nas negociações.









