Search
Close this search box.
RIO BRANCO
Search
Close this search box.

POLÍCIA

Caso Porsche: em audiência, casal de amigos confirma que motorista bebeu antes de dirigir

Publicado em

Avança na Justiça o processo penal contra Fernando Sastre de Andrade Filho, de 24 anos, motorista do Porsche envolvido na colisão que resultou na morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52, em março. Nesta terça-feira, 9, foram divulgados trechos do depoimento da namorada e do casal de amigos que acompanhavam Fernando Sastre na noite do acidente. As informações são de O Globo.

Ao todo, 19 testemunhas, tanto de defesa quanto de acusação, além do Ministério Público, foram ouvidos em audiência de instrução na 1ª Vara do Júri do Fórum da Barra Funda, do Tribunal de Justiça de São Paulo, em 28 de junho, em etapa que antecede o Tribunal do Júri. No processo, Fernando Sastre consta como réu por homicídio doloso qualificado e lesão corporal gravíssima.

Entre os depoentes, o juiz Roberto Zanichelli Cintra ouviu Marcus Vinícius Machado Rocha, de 22 anos, amigo de Sastre que estava no banco do carona do Porsche, e sua namorada, Juliana de Toledo de Simões, também de 22 anos. O casal confirmou que o réu ingeriu bebida alcoólica antes de dirigir.

Continua depois da publicidade

Além de Marcus e Juliana, Sastre estava acompanhado da namorada, Giovanna Pinheiro Silva, de 23. Na ocasião do acidente, a comanda do restaurante frequentado pelo grupo mostra uma consumação de R$ 600, incluindo oito drinques à base de uísque e uma caipirinha de vodca. Na mesma noite, eles também beberam álcool em um bar com ingresso de R$ 400 com ‘open bar’, que prevê bebidas à vontade.

Marcus consta como vítima do acidente provocado por Sastre. Após a colisão, ele ficou internado na UTI com lesões na costela e na perna esquerda, teve edema pulmonar e perdeu o baço. Porém, o amigo reiterou não se lembrar do horário dos acontecimentos e da quantidade exata de drinks consumidos pelo motorista.

Ele também confirmou uma briga entre Fernando Sastre e a namorada na saída do segundo estabelecimento. Segundo o Ministério Público, Giovanna não queria que ele dirigisse embriagado. Marcus explicou que acompanhou o amigo no mesmo carro, pois ‘não queria que ele fizesse nenhuma besteira’. Porém, ele disse não se recordar se o amigo apresentava embriaguez quando assumiu a direção do veículo.

A namorada de Marcus, Juliana, se emocionou durante a audiência. Além de relatar categoricamente que Sastre bebeu álcool antes de dirigir, ela afirmou ter sofrido pressão de amigos do réu para não contar tudo o que sabia sobre o caso, o que seria considerado ‘traição’: “Mas decidi falar toda a verdade, pois é um caso complexo em que uma vida se perdeu e a outra quase se foi”.

Depoimentos contraditórios

Em depoimento, Giovanna Pinheiro reiterou que o namorado, Fernando Sastre, não consumiu bebidas álcoolicas antes do acidente. Ela assumiu ter consumido parte dos drinques que constam na comanda, mas garantiu que o namorado bebeu ‘somente água’ na ocasião.

Continua depois da publicidade

Sobre a briga entre o casal, ela explicou, em juízo, que discutiu com Fernando Sastre pois queria ir embora, enquanto o namorado desejava permanecer no segundo estabelecimento em que estavam. Giovanna também disse que cedeu o lugar no carro do namorado a Marcus porque ele queria conhecer o veículo.

Giovanna também foi questionada sobre como Sastre foi retirado do local do acidente. Ela relatou a chegada da mãe do motorista, que, após a colisão, teve sangramentos na boca e nariz e vomitava. Segundo a namorada, uma policial autorizou a saída deles do local.

Dayse Aparecida Cardoso Romão, a policial militar que liberou Sastre, também depôs. Ela diz ter sido enganada por Daniela Cristina de Medeiros Andrade, de 46, mãe do empresário. A PM conta que a mulher pediu para levar o filho a um hospital e que foi autorizada pois o rapaz não apresentava sinais aparentes de embriaguez. No entanto, ele não foi encontrado pela Polícia Militar em nehuma unidade de saúde.

A namorada de Fernando Sastre disse que Daniela havia ligado para a policial para tentar informar que não o levaria mais ao hospital, pois ele estava em choque e tinha sido medicado com calmantes. O Ministério Público questionou, então, se ela havia visto a ligação. Giovanna respondeu que sim, mas foi desmentida.

Em depoimento na delegacia, Daniela informou que havia deixado o celular no carro, destacou o MP. Mas Giovanna insistiu que sabia da ligação. Fernando Sastre e Giovanna namoram há oito anos, e ela mantém visitas ao namorado, preso na cela 10 do pavilhão 1 da Penitenciária 2 de Tremembé. Sastre acompanhou os depoimentos por meio de videoconferência, mas teve o interrogatório suspenso a pedido de advogados.

Relembre o caso

No dia 31 de março, o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho conduzia um Porsche, avaliado em mais de R$ 1 milhão, quando bateu na traseira de um Renault Sandero. O acidente matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, que diriga o carro popular.

A batida aconteceu por volta das 2h da manhã na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, zona leste de São Paulo. Depois de colidir com o veículo de Ornaldo, Fernando fugiu do local. Ele estava com um amigo, o estudante de medicina Marcus Vinícius, no momento do ocorrido. O jovem ficou gravemente ferido e chegou a ser internado.

O condutor do Sandero até chegou a ser socorrido com parada cardiorrespiratória para o Hospital Tatuapé, mas morreu por conta de “traumatismos múltiplos”.

Uma informação importante para as investigações é sobre o possível consumo de bebidas momentos antes da batida. Isso porque uma comanda mostra que o jovem chegou a gastar R$ 600 em consumo de bebidas alcóolicas em um restaurante da capital paulista pouco antes do acidente.

Também foram divulgadas imagens de câmera de monitoramento que registraram o momento em que a garçonete de um restaurante retira os copos de bebidas alcoólicas da mesa de Andrade Filho.

O empresário foi até o local com a namorada, o amigo Marcus e a companheira dele, Juliana. Depois de ficar três horas no estabelecimento, os dois casais seguiram para uma casa de pôquer. Segundo os depoimentos coletados pela Polícia Civil, eles ficaram cerca de 2h30 na casa de jogos, até que começou uma discussão na saída.

Para a polícia, Marcus e Juliana relataram que Fernando bebeu e que a discussão era para que ele não dirigisse, pois estava “alterado”. No entanto, o motorista do carro de luxo e a namorada negam a informação.

 

Propaganda
Advertisement