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POLÍCIA

Desvio de medicamentos no Acre envolve substâncias letais usadas por facções; CRF-AC alerta para risco à saúde

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RIO BRANCO (AC) – Substâncias farmacêuticas de alto risco, entre elas opioides ultrapotentes associados ao crime organizado internacional, foram apreendidas em uma ação conjunta da Polícia Civil do Acre e da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) na capital acreana. A operação, iniciada na segunda-feira (05) e ampliada nesta quarta-feira (07), desmantelou um ponto de armazenamento ilegal no Beco da Pista, na região da Rua Glória, onde um homem foi preso em flagrante.

Entre os produtos recolhidos, destaca-se o fentanil – encontrado em diversas formas farmacêuticas –, um composto até cem vezes mais potente que a morfina, cujo uso é restrito exclusivamente a hospitais. Internacionalmente, a substância tem sido utilizada por facções criminosas para adulterar drogas ilícitas, o que aumenta significativamente a letalidade e o número de overdose.

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Além do fentanil, os policiais encontraram uma vasta gama de medicamentos que deveriam estar sob controle sanitário rigoroso: anestésicos como a ketamina (frequentemente ligada ao comércio ilegal), sedativos como midazolam, clonazepam e diazepam, além de tramadol, rocurônio e dobutamina – substâncias que, fora do ambiente clínico, podem causar parada respiratória e morte.

A apreensão também incluiu insumos essenciais para o Sistema Único de Saúde (SUS), como medicamentos oncológicos (Doxopeg), 21 caixas de insulina, ondansetrona (utilizado em tratamentos de quimioterapia), cateteres para hemodiálise, seringas e equipamentos de proteção. A presença desses itens fora das unidades de saúde reforça a suspeita de que se tratam de produtos desviados da rede pública, em um momento em que muitos pacientes relatam dificuldades para obter medicamentos.

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A descoberta de recursos financeiros e materiais para aplicação dos medicamentos indica que o local funcionava como um centro de distribuição, não apenas para uso pessoal. Investigadores apontam para a existência de uma cadeia estruturada envolvida na compra e revenda ilegal dos produtos, e novas diligências estão sendo planejadas com base nas informações colhidas.

Em nota, o Conselho Regional de Farmácia do Estado do Acre (CRF-AC) manifestou preocupação com o impacto do desvio na saúde pública. “Quando medicamentos são retirados do circuito legal, perdemos o controle sobre sua qualidade, validade e condições de armazenamento – fatores fundamentais para garantir a segurança dos pacientes”, destacou a entidade.

O CRF-AC informou ainda que, caso seja identificada a participação de profissionais farmacêuticos registrados no esquema, serão instaurados procedimentos disciplinares de acordo com o Código de Ética da categoria, além das responsabilidades criminais e civis que possam ser aplicadas. “Nossa prioridade é proteger a população acreana e garantir que os recursos do SUS cheguem às pessoas que realmente precisam”, concluiu o comunicado.

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