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POLÍCIA

Facção é acusada de se apropriar de terrenos após incêndios em casas de familiares de rivais em Manoel Urbano

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Uma apuração jornalística obteve informações que apontam a atuação de organizações criminosas na apropriação irregular de terrenos no município de Manoel Urbano, no interior do Acre. As denúncias envolvem ameaças, coerção e cobranças ilegais, além do impedimento do retorno de famílias a imóveis incendiados durante disputas entre facções criminosas.

Os relatos foram repassados à reportagem sob condição de anonimato, devido ao receio de represálias, e situam os fatos no contexto dos confrontos registrados entre os anos de 2021 e 2022. À época, Manoel Urbano foi palco de disputas territoriais entre facções criminosas, principalmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

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De acordo com as informações apuradas, durante o período de confrontos o Comando Vermelho teria ampliado sua atuação em áreas anteriormente dominadas pela facção rival, passando a exercer controle territorial em diferentes bairros do município. Ainda segundo os relatos, residências pertencentes a familiares de pessoas associadas ao grupo rival teriam sido alvo de incêndios criminosos, resultando na destruição total ou parcial dos imóveis.

Após os ataques, os moradores teriam sido impedidos de retornar às propriedades ou de realizar qualquer tentativa de reconstrução. Conforme a denúncia, integrantes da facção passaram a tratar os terrenos onde as casas foram incendiadas como áreas sob seu domínio, utilizando a destruição dos imóveis como mecanismo de consolidação do controle territorial.

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A apuração indica que pelo menos três famílias foram impedidas de retomar a posse de suas propriedades após os incêndios ocorridos durante os confrontos. Mesmo com o arrefecimento dos ataques, as vítimas relatam que continuam impossibilitadas de retornar aos locais, diante de ameaças e restrições impostas por integrantes da organização criminosa que passou a controlar a região.

Entre os casos denunciados está o de um morador que adquiriu legalmente um terreno pertencente anteriormente a familiares de pessoas ligadas à facção rival. No local, foi construída uma residência mista, de alvenaria e madeira, onde o novo proprietário residiu por mais de um ano. Posteriormente, ele teria sido informado de que só poderia permanecer no imóvel mediante o pagamento de uma quantia em dinheiro à facção, sob a alegação de que o terreno estaria sob domínio do grupo em razão dos ataques ocorridos na região. Sem condições de atender à exigência, o morador teria sido obrigado a demolir a própria casa e abandonar o local.

A reportagem deixa aberto o espaço para manifestações das autoridades de segurança pública do Estado do Acre, incluindo as polícias Civil e Militar, para que se pronunciem sobre as denúncias, informem se há investigações em andamento e esclareçam quais medidas estão sendo adotadas para apurar os fatos, combater a atuação de organizações criminosas e garantir a segurança das famílias afetadas em Manoel Urbano.

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