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RIO BRANCO

POLÍCIA

Personal é preso suspeito de crime sexual contra aluna: ‘Achei que estava sendo correspondido’

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Um personal trainer foi preso nesta terça-feira, 21, suspeito de importunar sexualmente uma aluna durante uma avaliação física em Caldas Novas, em Goiás. Após o ocorrido, ele enviou mensagens à vítima nas redes sociais, pediu desculpas e tentou convencê-la a não contar nada para ninguém. A defesa de Bruno Fidelis, de 41 anos, afirmou ao Terra que a Justiça determinou sua soltura.

Segundo a Polícia Militar, a vítima acionou a corporação e relatou que, durante uma avaliação física na loja de suplementação do suspeito, o personal se aproveitou para tocar em partes íntimas dela e afastar o seu biquíni. De acordo com a vítima, ele tocou em seus seios, tentou beijá-la e, não satisfeito, insistiu em segurá-la.

A aluna, após o ocorrido, afirma que retornou para casa, mas continuou recebendo ligações e mensagens do personal. Ele insistia em visitá-la em sua residência, pedindo que ela não denunciasse o ocorrido.

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A equipe da Força Tática, ao tomar conhecimento da situação, iniciou um patrulhamento e conseguiu abordar o suspeito enquanto ele se dirigia à casa da vítima. Logo após a abordagem, o personal trainer foi conduzido à delegacia.

O delegado Alex Miller, que está à frente das investigações, relatou que a Polícia Militar encaminhou o suspeito à Central de Flagrantes de Caldas Novas. Lá, a autoridade policial ouviu todas as partes envolvidas e decidiu pela prisão em flagrante do suspeito pelo crime de importunação sexual, que prevê uma pena de 1 a 5 anos.

Durante o procedimento, a vítima confirmou suas declarações iniciais, relatando que, enquanto estava sozinha com o personal trainer durante a avaliação física, ele se aproveitou da situação para tocar e acariciar seu seio. O suspeito, por sua vez, negou a conduta, alegando que não teve intenção sexual ao tocar a vítima.

“A vítima apresentou prints de conversas em aplicativo de mensagem, corroborando sua versão no sentido de que, de fato, o investigado tinha cunho sexual no momento em que a tocou. O inquérito policial será concluído no prazo de 10 dias”, afirmou o delegado ao Terra.

Personal enviou mensagens à aluna
Imagens divulgadas pela PM de Caldas Novas mostram a troca de mensagens entre a aluna e o personal:

– Personal: Filhota, tô orgulhoso. Preciso que se dedique mais na dieta agora tá. Se em poucos dias de dieta você teve um resultado tão top, como será se seguir certinho? Se removeu da postagem? Por favor não.

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– Aluna: Bruno, você está agindo como se nada tivesse acontecido, mas depois de hoje pode ter certeza que não quero ver você nunca mais. Confiei em você, meu marido confiou em você, eu me senti abusada por você. Por favor, não me procure mais.

– Personal: Você é minha aluna mais f***, deixa eu conversar com você.

– Aluna:Você passou a mão nos meus peitos, tentou me beijar.

– Personal: Por favor, faz isso não. […] Deixa eu falar com você. […] Você vai me prejudicar? Por favor, não faz isso. O que você vai fazer? Tá me bloqueando, não precisa isso. Se não quer treinar comigo tudo bem. Mas o que você vai fazer? Só me responde isso, vai fazer o que? Por favor, to passando mal.

– Aluna: Por que você fez isso Bruno?

– Personal: Me perdoa, que achei que estava sendo correspondido. Me perdoa.

– Aluna: Tá louco? Nunca te dei liberdade.

– Personal: Eu quem me enganei.

– Aluna: Te paguei para me treinar, não para passar a mão em mim. Isso não existe.

– Personal: Perdoa seu coach. De coração, isso vai acabar comigo. Perdoa eu, te peço por tudo que há de mais sagrado.

– Aluna: Entendeu o que errado Bruno?

– Personal: Eu amo minha família, meu trabalho. Errei, admito, perdoa. Não posso perder tudo por um engano meu.

Em outra mensagem, o personal voltou a pedir para ela não contar a ninguém: “Eu me enganei. Na hora que encostei no biquíni você não falou nada. Cheguei um pouco para o lado, você não falou nada. Se tivesse dito que não, eu não teria encostado em você. Achei que você estava correspondendo. Me enganei. Por favor, não comente com ninguém. Isso pode me destruir. Te peço que me perdoe. Não fale para ninguém. […] Posso ir aí falar com você?”, escreveu.

O que diz a defesa

Os advogados Lucas Morais Souza e Arlen S. Oliveira, que representam Bruno Fidelis, esclarecem que ainda estão tomando ciência das acusações que constam nos autos do inquérito policial.

“Bruno exerce a profissão de personal a mais de cinco anos, atendendo mais de 100 alunos neste período, pautando sempre pela ética, transparência e a busca do melhor resultado para os alunos. Neste período, nunca obteve nenhuma reclamação de seus alunos, e, no curso das investigações demonstrará a improcedência das acusações. Nesse compasso, a defesa buscará no curso do processo demonstrar que o investigado agiu sempre pela boa-fé e ética, cumprindo com o exercício da função que lhe foi confiado por seus alunos”, afirma a defesa.

Os advogados também informaram que a Delegacia de Polícia Civil encaminhou ao judiciário as documentações e levantamentos apurados até o momento.

Na ocasião, o juízo responsável pelo caso, ao analisar os documentos, determinou que: “O autuado constituiu defensor, apresentou comprovante de endereço, possui ocupação lícita, não possui condenações transitadas em julgado. Desse modo, não há motivos que justifiquem o decreto preventivo, com base nos pressupostos autorizadores (art. 312 do CPP). In casu, qualquer afirmação no sentido de que existem motivos para manter a prisão do autuado não passará de presunção de periculosidade, o que viola o ordenamento constitucional, mormente o princípio da inocência, vez que o autuado ainda não foi submetido a julgamento.”

Por fim, a defesa afirma que as “informações levantadas são embrionárias e que qualquer julgamento neste momento ofende o princípio da presunção de inocência. Os fatos devem ser apurados sob o crivo do contraditório e ampla defesa em juízo”.

Em caso de violência contra a mulher, denuncie

Violência contra a mulher é crime, com pena de prisão prevista em lei. Ao presenciar qualquer episódio de agressão contra mulheres, denuncie. Você pode fazer isso por telefone (ligando 190 ou 180).Também pode procurar uma delegacia, normal ou especializada.

 

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