Manaus (AM) – 20 de fevereiro de 2026 – A Polícia Civil do Amazonas iniciou na manhã desta sexta-feira uma operação para desmantelar um esquema ligado ao Comando Vermelho que, conforme investigações, contava com um “núcleo político” com acesso aos três poderes da esfera estadual e municipal. Até o momento, foram realizadas 14 prisões, sendo oito no Amazonas, com mandados cumpridos também em cinco outros estados.
Entre os investigados estão servidores públicos e ex-assessores parlamentares. Dentre os nomes citados na ação estão Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas; Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus — que atuou como chefe de gabinete do prefeito David Almeida (Avante) até 2023; e Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete da liderança na Assembleia Legislativa. Também estão sob investigação um policial militar e ex-assessores de vereadores. A polícia informou que o prefeito não é alvo da operação.
Recursos movimentados e ligação com a facção
De acordo com os investigadores, o grupo teria movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018 — média de R$ 9 milhões anuais. Destes, aproximadamente R$ 1,5 milhão teriam sido destinados diretamente à facção criminosa por meio de empresas de fachada.
A Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além de determinar bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens e quebra de sigilo financeiro. As ações estão sendo cumpridas em Manaus e nas cidades dos estados do Pará, Minas Gerais, Ceará, Piauí e Maranhão.
Empresas fictícias para tráfico de drogas
As investigações indicam que empresas fictícias, majoritariamente atuantes nos setores de transporte e logística, foram utilizadas para viabilizar a compra de drogas na Colômbia e o envio das mercadorias para Manaus, de onde os entorpecentes seriam distribuídos para outras regiões do país.
Relatórios de inteligência financeira identificaram movimentações bancárias atípicas e incompatíveis com a renda declarada dos investigados, além de transferências entre pessoas e empresas ligadas ao grupo em diversas unidades federativas. Há também indícios de tentativa de acesso indevido a informações sigilosas sobre investigações criminais, com o intuito de antecipar ações policiais e judiciais — um ponto que ainda segue sob apuração.










