Faltando exatamente três meses para as eleições presidenciais de 2026, o presidente Lula (PT), que busca a reeleição, aparece na liderança das pesquisas — mas tem dois grandes desafios pela frente: o desgaste do caso Banco Master, que atinge seu círculo próximo, e a ameaça de novas tarifas econômicas dos Estados Unidos.
Na última semana, antes do início do período de restrições eleitorais, o petista intensificou a agenda de entregas e inaugurações, chegando a promover anúncios simultâneos em 12 cidades com toda a equipe ministerial.
Do lado da oposição, o principal pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta um dos maiores desgastes da sua trajetória política: o rompimento público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
A crise explodiu após Michelle publicar vídeos em que diz ter sido humilhada e desrespeitada pelo senador em uma conversa telefônica. O ponto de discórdia é a articulação do PL no Ceará: Flávio defende aproximação com Ciro Gomes (PSDB), enquanto Michelle quer apoio ao bolsonarista Eduardo Girão (Novo).
Flávio negou publicamente qualquer desrespeito, mas relatos internos mostram que atritos entre ela e os filhos de Jair Bolsonaro existem há anos — e se agravaram após a prisão do ex-presidente em 2025 e o anúncio da candidatura de Flávio como sucessor do grupo.
O conflito já resultou na saída de Michelle da presidência do PL Mulher. O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, sinalizou que ela não deve mesmo disputar o Senado pelo Distrito Federal, embora a desistência ainda não seja oficial. Avalia-se que a ex-primeira-dama pode estar mirando uma candidatura à Presidência no futuro.
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada esta semana mostra Lula com 46,3% no primeiro turno, contra 36,6% de Flávio. No segundo turno, o petista tem 48,8% e o opositor 42,3% — em abril, os dois estavam empatados em 48%, o que significa queda de quase 6 pontos para o senador. Mesmo com a vantagem, a expectativa é de forte polarização, como nas eleições de 2022.












