Brasília — A menos de 72 horas para o fechamento das urnas no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, a disputa em torno da abertura de sigilos transformou-se no principal ponto de tensão entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O impasse ganhou novos capítulos nas últimas horas, com troca de acusações e prazos estabelecidos perante a Justiça Eleitoral.
O desafio e as contracondições
Tudo começou no debate da Band, no último domingo (18), quando Lula propôs ao adversário a abertura mútua dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de seus familiares referentes aos últimos oito anos. A proposta foi formalizada dois dias depois, com o envio de autorização ao TSE e ao STF.
A resposta de Flávio Bolsonaro veio em petição dirigida ao ministro André Mendonça, na quarta-feira (21). O senador aceitou abrir seus sigilos — ampliando o período para 20 anos e incluindo também empresas das quais participa — e declarou não se opor à liberação de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Classificou, porém, a oferta inicial de Lula como “gaveta vazia”, argumentando que o patrimônio do petista estaria em nome de terceiros.
A lista de exigências
Flávio condicionou sua participação ao cumprimento de uma série de requisitos adicionais:
-Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola): Abertura dos sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal dos últimos oito anos do ex-chefe de gabinete da Presidência
-Janja: Divulgação da agenda da primeira-dama anterior a fevereiro de 2025, registro de visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada, uso de helicóptero oficial e despesas do palácio
-Cartão corporativo: Todos os gastos da Presidência da República desde janeiro de 2023
-Daniel Vorcaro: Registros da reunião com Lula em 4 de dezembro de 2024 e histórico de acessos ao Planalto e ao Alvorada
-Roberta Luchsinger: Controle de acessos aos palácios, voos da FAB e agenda de reuniões em órgãos públicos, além dos sigilos dela e de sua empresa
-Filhos de Lula: Informações sobre empresas dos filhos do presidente, incluindo uma offshore na Espanha ligada a Lulinha
-Frei Chico: Dados bancários, fiscais e telefônicos do irmão de Lula e do Sindnapi
Campanha de Lula responde
Por meio do senador Camilo Santana, a campanha petista sinalizou disposição em avançar, desde que o senador também cumpra sua parte. Em nota oficial divulgada à noite, a coordenação informou que comparecerá ao TSE às 11h desta quinta-feira (22) para protocolar a resposta e aguardar que a equipe adversária também formalize a entrega dos dados solicitados — incluindo os de pessoas físicas e jurídicas citadas.
Flávio reagiu dizendo receber “com entusiasmo” a notícia e que espera que não seja “apenas mais uma promessa não cumprida”. Em sua nota, porém, não confirmou se seus representantes estarão presentes no Tribunal nesta manhã para efetivamente entregar as informações de sua parte.
O desfecho desta movimentação deverá acontecer já nas próximas horas, enquanto o relógio segue contando regressivamente para o dia da votação, no próximo domingo (25).












