BRASÍLIA – A esposa do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi se manifestou em desespero em um grupo de WhatsApp após receber o relato do pai de uma das jovens que acusa o magistrado de importunação sexual. Em mensagens obtidas pela reportagem, que preservou os nomes de todos os envolvidos exceto o do ministro, ela desabafou sobre a situação que considera inacreditável.
“Está difícil. Acabou com a minha vida”, escreveu a esposa. “Não sei o que dizer. Nunca imaginaria isso nem nos meus piores pesadelos. Ainda não sei o que fazer.”
Ela também ressaltou a convivência de quase meio século com o marido como forma de demonstrar sua surpresa com as acusações. “Só (peço) que entendam que estou casada há 43 anos e nunca aconteceu nada dessa natureza”, afirmou. Na conversa, ela informou que deixaria a residência onde estava com Buzzi para se hospedar em casa de amigas, dizendo: “Não sei ainda o que fazer.” O ministro fazia parte do grupo, mas não emitiu qualquer comentário.
O pai da jovem de 18 anos, uma das duas mulheres que acusam o magistrado, utilizou o mesmo grupo para defender a filha. “O que o ministro não foi capaz de entender é que ele não estava tratando com qualquer menina, mas com uma mulher de atitude, corajosa e que tem um futuro brilhante pela frente, que jamais será afetada por tamanho absurdo”, declarou. Complementou ainda: “Ele confundiu a doçura, a educação e a simpatia da minha filha, achando que ela iria se fechar, se calar e não contar para ninguém. Ledo engano, meu caro.”
Ministro é afastado em caráter cautelar
Marco Buzzi foi afastado das suas funções no STJ nesta terça-feira (10), em medida cautelar e por prazo determinado, após ser acusado de importunação sexual por duas mulheres diferentes. A decisão ocorreu após a instauração de uma sindicância interna na semana passada, aprovada por unanimidade entre os ministros do tribunal. Poucas horas depois do início da apuração, o magistrado apresentou atestado médico e solicitou afastamento para tratamento.
O plenário do STJ agendou nova sessão para o dia 10 de março de 2026, quando será avaliado o relatório final da investigação interna.
A defesa de Marco Buzzi nega integralmente as acusações. Em nota, a equipe jurídica afirmou que considera “desnecessária” a medida de afastamento cautelar, pois “não há risco concreto à higidez procedimental da investigação e também porque o ministro já se encontra afastado para tratamento médico”. A defesa informou ainda que pretende apresentar “contraprovas” durante o processo.









