BRASÍLIA (DF), 12 de fevereiro de 2026 — O ministro André Mendonça foi sorteado nesta quinta-feira (12) como novo relator das investigações do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), substituindo Dias Toffoli, que decidiu deixar o posto por motivos de interesse institucional. A escolha segue o procedimento padrão da Corte para redistribuição de processos.
A decisão de Toffoli ocorreu após uma reunião convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para apresentar o relatório da Polícia Federal (PF) sobre dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento cita o nome do ex-relator e foi entregue à Corte no início da semana, tendo sido encaminhado também à Procuradoria-Geral da República (PGR) para avaliação.
A reunião dos ministros começou por volta das 16h30 e se estendeu até cerca das 20h, com uma breve interrupção. Em nota oficial assinada pelos demais 10 integrantes da Corte, os magistrados afirmaram que não há cabimento para arguição de suspeição contra Toffoli, reconhecendo a “plena validade dos atos praticados” por ele na condução do caso. Eles também manifestaram “apoio pessoal” ao ex-relator, destacando que ele atendeu a todos os pedidos da PF e da PGR.
“Considerando o contido no processo, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF”, diz a nota.
Antes de deixar a relatoria, Toffoli havia negado as suspeitas em nota pública, afirmando que nunca recebeu valores de Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel, dono do fundo que adquiriu participação no resort Tayayá, no Paraná. O ministro confirmou ser sócio da empresa Maridt, que detinha ações do complexo turístico até fevereiro de 2025, mas garantiu que todas as operações foram realizadas dentro do valor de mercado e declaradas à Receita Federal.
“O magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador”, ressaltou a nota de sua assessoria, citando a Lei Orgânica da Magistratura.
O caso investiga supostas fraudes na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, operação que foi negada pelo Banco Central em setembro de 2025. A PF ainda investiga o porquê do plano de Toffoli de atear fogo à residência da família não ter sido concretizado, conforme informações de uma fonte ligada à apuração.









