Após PF contradizê-lo, Mendonça quer que delegados esclareçam se foram constrangidos

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Após PF contradizê-lo, Mendonça quer que delegados esclareçam se foram constrangidos
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Após a Polícia Federal (PF) contradizê-lo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça subiu o tom neste domingo (13/9) e cobrou que quatro delegados esclareçam se foram constrangidos por ele durante as investigações do Banco Master. A decisão de intimá-los está nas mãos do presidente Edson Fachin.

A controvérsia está relacionada à mídia com a íntegra das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes por WhatsApp e se arrasta desde a última sexta-feira (11/9). Moraes e os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin exigem acesso aos dados brutos extraídos de um dos celulares apreendidos, pois Mendonça tem uma cópia de segurança.

Mendonça listou o nome dos quatro delegados signatários da cópia de segurança da mídia extraída do celular de Vorcaro. O ministro cobrou esclarecimentos a respeito das “circunstâncias e do contexto do qual se deu a entrega” e a respeito de “eventuais constrangimentos sofridos ao longo das investigações”.

O ministro se incomodou após a PF lhe contradizer em uma nota à imprensa divulgada há cerca de três horas. Após Fachin intimá-la a esclarecer onde está a versão original, a instituição ressaltou que o “envio daquela cópia ocorreu mediante solicitação do próprio gabinete, conforme documentação constante do processo administrativo correspondente”.

Na última sexta, Mendonça ressaltou, por duas vezes, que a PF lhe enviou, de forma “voluntária” e “espontânea”, a cópia. “A autoridade policial, de forma voluntária e espontânea, entregou a este gabinete, em envelope lacrado, cópia de segurança dos dados extraídos da mídia original (o celular apreendido) (…)”, explicou.

O ministro, que citou que um ofício de 8 de março de 2026 registraria a remessa voluntária da cópia de segurança, rebateu a PF e questionou em qual despacho teria solicitado o arquivo. Mendonça apontou que a polícia judiciária não indicou “nenhuma decisão que contivesse a referida determinação”.

O ministro ainda criticou Gilmar, Moraes e Zanin e disse que a exigência da versão original da mídia extraída do celular de Vorcaro apenas tumultuaria a sessão da próxima terça (15/9). “Como bem enfatizou o eminente presidente, ‘a gravidade dos fatos não autoriza atalhos’, mas também não tolera subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça”, afirmou.

Mendonça também lembrou que a divulgação incluiria “a abertura de todas as informações contidas” no celular de Vorcaro e alertou para o risco a “todo o seguimento e êxito das investigações”. Em alusão a uma eventual nulidade do material, o ministro argumentou que a medida daria “ensejo à suscitação de questionamentos de toda ordem”.

Nesse sábado, a defesa de Vorcaro cobrou que Fachin filtre os autos do caso antes de torná-los públicos para proteger a intimidade, a vida privada e o sigilo legal. “A divulgação de material dessa natureza, destituído de interesse público ou investigativo, constituiria ingerência desproporcional na esfera privada dos envolvidos, com potencial lesão de difícil ou impossível reparação”, argumentou.

Mendonça fez a advertência após a PF se dispor a enviar uma cópia de segurança da mídia extraída do celular de Vorcaro para Gilmar, Moraes e Zanin. A polícia informou que tem “plenas condições técnicas para produzir e encaminhar cópia idêntica da extração aos demais gabinetes que a solicitaram, observadas as determinações da Corte e as cautelas de sigilo aplicáveis”.

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