RIO BRANCO (AC) – A reposição de direitos retirados dos profissionais da educação, os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e o impacto do calendário eleitoral foram os pontos centrais de um debate acirrado entre os deputados Edvaldo Magalhães (PCdoB), da oposição, e Tanizio Sá (MDB), da base governista, durante entrevista ao programa Boa Conversa – Edição Aleac nesta quarta-feira (04).
Ao abrir o diálogo, Edvaldo Magalhães fez duras críticas ao governo estadual, cobrando o cumprimento de compromissos com servidores de educação e saúde. “O governador precisa corrigir a injustiça cometida com os professores ainda durante seu mandato”, afirmou ele, destacando que em fevereiro de 2026 completar-se-ão 50 meses desde a redução do acréscimo salarial do plano de cargos, carreiras e salários (PCCRs) da educação – de 10% para 7%.
O parlamentar apresentou dados para dimensionar o impacto da medida: um professor de nível superior na letra J, maioria da categoria, perde cerca de R$ 1.087,53 por mês, totalizando R$ 58.450,50 em 50 meses. “Essa é a dimensão da injustiça que estamos enfrentando”, ressaltou. Ele também questionou a contratação de uma fundação para elaborar o PCCRs da saúde, que custou R$ 500 mil e, segundo ele, ainda não foi apresentado à Assembleia.
Edvaldo criticou o uso da LRF como justificativa para o não cumprimento de acordos e levantou suspeitas sobre a composição do último relatório fiscal, citando que uma recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre inclusão de gastos com terceirizados foi aplicada apenas agora. “Há uma intenção por trás disso e vamos discutir o tema tecnicamente, verificando quais cargos foram incluídos e se são efetivamente ocupados”, disse ele, acrescentando que a categoria não aceitará a situação passivamente e que a correlação de forças pode mudar em ano eleitoral.
Em defesa do Executivo, Tanizio Sá ressaltou que as decisões foram aprovadas pelo Parlamento e que o governo atua dentro dos limites legais. “Com respeito ao deputado Edvaldo, que é comprometido com os trabalhadores, mas a vontade da maioria precisa ser respeitada”, afirmou. Ele destacou que o tema será discutido no orçamento e que o governador já demonstrou preocupação com os servidores – citando a convocação de 1.600 profissionais da educação e a realização de concursos.
Sobre os limites do calendário eleitoral, Tanizio reconheceu que a partir de maio não será possível avançar com medidas, mas garantiu que a pauta não está encerrada. “A partir de outubro poderemos retomar as discussões. O governador não pode cometer crimes de responsabilidade, e essa questão fiscal é debatida em todo o país – não há problema em tratá-la após as eleições, se necessário”, concluiu.









