Polícia livra Bolsonaro de indiciamento por arma apreendida; Moraes avalia prisão

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Polícia livra Bolsonaro de indiciamento por arma apreendida; Moraes avalia prisão
O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro chega em casa para começar a cumprir prisão domiciliar, após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, depois de ter sido condenado por maioria da Corte por tramar um golpe para permanecer no poder após perder a eleição de 2022, em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado

A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não cometeu crime no episódio envolvendo a pistola registrada em seu nome, apreendida durante uma blitz em Brasília no último dia 15 de junho.

O relatório, enviado nesta quarta-feira (2) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retira um dos principais elementos que vinham sendo analisados pela Corte para avaliar a manutenção da prisão domiciliar do ex-presidente.

Embora Bolsonaro não tenha sido indiciado, a investigação responsabilizou o segurança Estácio Leite da Silva Filho, que transportava a arma no momento da abordagem policial. Ele responderá por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

A conclusão do inquérito encerra uma etapa aguardada tanto pelo STF quanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na semana passada, ao ser consultada por Moraes sobre a possibilidade de o episódio caracterizar uma falta grave de Bolsonaro, a PGR afirmou que não havia elementos suficientes para uma manifestação definitiva e recomendou aguardar o fim das investigações policiais.

Com o envio do relatório, caberá agora ao ministro decidir se prorroga a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente ou determina seu retorno ao sistema prisional.

Episódio colocou domiciliar em xeque

A apreensão da arma levou Moraes a avaliar se Bolsonaro havia descumprido as condições impostas para permanecer em prisão domiciliar. Caso fosse reconhecida uma falta grave, uma das consequências possíveis seria a revogação do benefício.

Segundo a versão apresentada à Polícia Civil, a pistola havia sido retirada da residência do ex-presidente para passar por manutenção.

A defesa informou que uma peça do armamento havia sido removida para inutilizá-lo em razão do estado de saúde de Bolsonaro. Posteriormente, ao perceber um problema ao manusear a arma, o ex-presidente teria solicitado que o segurança a levasse para conserto.

O próprio Bolsonaro prestou depoimento durante a investigação e confirmou que a arma era de sua propriedade. Na ocasião, afirmou que pediu o transporte da pistola apenas para manutenção.

Segurança foi responsabilizado

Embora tenha afastado a responsabilização criminal do ex-presidente, a Polícia Civil concluiu que houve irregularidade na conduta do segurança que conduzia a arma.

Estácio Leite da Silva Filho foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. A abordagem ocorreu durante uma fiscalização de trânsito, quando os policiais constataram que o armamento não estava acompanhado da documentação exigida.

O relatório agora será analisado por Alexandre de Moraes no âmbito do processo que acompanha o cumprimento da prisão domiciliar de Bolsonaro. A expectativa é de que a decisão sobre a manutenção ou não da medida seja tomada nos próximos dias.

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