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RIO BRANCO

POLÍTICA

Policial penal chorou ao falar de assédio sofrido durante reunião com diretor do Iapen, diz grupo na Aleac; deputada diz que ‘não adianta criar secretaria para fingir ouvir as mulheres’

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Foto Sérgio Vale/Agência Aleac

Um grupo de policiais penais femininas esteve na manhã desta terça-feira, 21, na Assembleia Legislativa do Acre, a fim de pressionar os parlamentares a tomarem um posicionamento acerca da denúncia de assédio moral do diretor do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), Alexandre Nascimento, contra as servidoras.

O deputado Arlenilson Cunha (PL), que também é policial penal e defende a categoria, falou sobre seu sentimento relacionado à denúncia que recebeu da Equipe B do Presídio Feminino, onde uma reunião de urgência foi realizada. O teor da reunião era para saber se as policiais penais tinham algum conhecimento de “coisas a respeito de sua vida particular”. Não houve resposta por parte das servidoras. Uma policial penal chegou a pedir para sair da sala, chorando. Alexandre Nascimento teria continuado ameaçando as outras, dizendo que os celulares estavam grampeados e que todos iriam pagar caro pela “fofoca”.

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“Nós não vamos tolerar esse tipo de abuso. Estive dois anos à frente daquela pasta e nunca vi algo desse tipo. Tenho certeza de que o governador Gladson Cameli não compactua com essa situação”, disse Arlenilson Cunha.

O deputado Adailton Cruz disse ter certeza de que o governador Gladson Cameli não apoia esse tipo de situação e que, tão logo seja possível, o denunciado será afastado e devidamente punido, para que sirva de exemplo.

Edvaldo Magalhães destacou a gravidade da denúncia, principalmente pela exposição das servidoras, que todas assinaram o documento. “É porque já passou dos limites há muito tempo.” Ele destacou que essa é a segunda grande manifestação de uma categoria, onde o governo sai em defesa do denunciado, o chamado machismo estrutural.

Manoel Moraes disse que conversou com o governador em Xapuri e que este jamais deixará de fazer o certo, e afirmou que o assunto será tratado, primeiro, nas comissões e depois em outras instâncias, se for necessário.

Após vários pronunciamentos de outros deputados, a deputada estadual Michelle Melo disse que faria uma linha do tempo para mostrar o quanto o governo é machista. Em relação à nota de repúdio das policiais penais sobre a atuação do diretor Alexandre Nascimento, Michelle destacou a importância de se ter em mente tudo que tem acontecido. Ela também protocolou um requerimento convocando Alexandre Nascimento à Aleac, e pediu que fosse aprovado pelos colegas.

“Nesse governo, tivemos denúncias de assédio dentro da instituição da Polícia Civil. Tivemos uma mulher, que é agente da Polícia Civil, que foi às redes sociais para denunciar a falta de infraestrutura na delegacia onde trabalha. Recebemos essa mulher nesta casa, assim como estamos recebendo essas mulheres que estão aqui, mas nada foi feito. É muito fácil para o governo fingir que nos ouve e, de fato, não nos ouvir. A agente da Polícia Civil, que foi levada à corregedoria por denunciar que o teto quase desabou sobre sua cabeça, ainda está na corregedoria. Não vi nenhuma manifestação do governo sobre o que estava acontecendo com essa mulher. Quando as mulheres da Polícia Civil e os homens, também da Polícia Civil, na audiência pública da Segurança Pública, nesta casa, disseram estar sendo perseguidos e sofrendo assédio moral, não vi nenhuma atitude do governo a respeito. Protocolamos o requerimento hoje não para convidar o presidente Alexandre, porque o assédio moral traz consigo a premissa de que a fala das vítimas é prova. Não é mais necessário provar o que a fala das vítimas já prova. Caiu por terra a necessidade de as mulheres terem que provar, como no vídeo que vimos nas redes sociais recentemente, de uma mãe que teve que gravar o pai abusando da filha. Isso não é exigido por lei; basta querer ouvir e aceitar que essas mulheres estão falando a verdade. Mas para este governo, as mulheres nunca falam a verdade. O machismo estrutural no governo do estado do Acre existe de forma absurda, e eu quero que hoje essas mulheres saiam daqui com uma resposta, que não seja apenas ouvir e fazer ouvidos de mercador, dizendo que ‘vamos ver e apurar os fatos'”, disse Michelle.

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A parlamentar também lembrou das denúncias de assédio sexual contra um secretário do município, onde o prefeito ficou do lado do seu secretário, ignorando a denúncia das mulheres.

A deputada Michelle Melo relatou, que quando vereadora de Rio Branco, ao levar à Câmara Municipal uma denúncia de assédio sexual contra o secretário de saúde Frank Lima, o prefeito Tião Bocalom defendeu o secretário, afirmando confiar nele. As denunciantes enfrentaram afastamento, perseguição e humilhação, uma vez que o prefeito não afastou o secretário.

Apesar de condenado pelo Ministério Público, o secretário continuou como assessor político do prefeito. Melo destacou a fragilidade e necessidade de proteção das mulheres denunciantes, criticando a prática de se questionar a veracidade das denúncias das mulheres e ressaltou a gravidade do assédio moral, especialmente o assédio vertical, onde aqueles em posições de poder humilham os subordinados.

Visivelmente incomodada com a situação, a parlamentar disse ainda que as mulheres sofrem cinco vezes mais assédio do que um homem na instituição, por conta do machismo estrutural, que segundo Michelle, “há nesse governo e na prefeitura também”.

Ela destacou que não adianta o governador Gladson Cameli criar uma secretaria da mulher e fingir que houve as mulheres, e que não adianta não adianta não afastar o presidente do Iapen para que as apurações aconteçam de forma justa, e que não adianta deixar Alexandre Nascimento no cargo e essas mulheres com medo de estar denunciando e com medo de imaginar o que vai ser do trabalho delas, mesmo sendo efetivas, Michelle alegou que ‘muitas coisas podem acontecer com as servidoras, como remanejamentos, gratificações que elas podem estar recebendo pelos seus trabalhos, tudo pode vir por terra, porque assim que funciona, é o que está no poder humilhando trabalhador lá na ponta’.

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