O primeiro confronto direto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aconteceu neste domingo (18), na TV Bandeirantes, a uma semana da decisão do segundo turno. A noite foi marcada por propostas, trocas intensas de acusações e até confusão entre as comitivas no momento das considerações finais.
Flávio chegou primeiro, por volta das 19h25, acompanhado de aliados como Tarcísio de Freitas, Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Lula chegou dez minutos depois, com Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet. Ambos haviam se ausentado de todos os debates do primeiro turno — agora, com a disputa apertada (Flávio: 47,03%; Lula: 45,16%), aceitaram o confronto. A eleição está marcada para 25 de outubro.
1º Bloco — Segurança, economia e acusações cruzadas
Segurança pública: Flávio prometeu “guerra ao narcoterrorismo”, recuperação de territórios e meio milhão de vagas em presídios. Lula citou a lei antifacção e defendeu criar o Ministério da Segurança Pública: “Combatendo o crime organizado da esquina ao andar de cima.”
Economia: Lula defendeu estimular o consumo e os pequenos empreendedores. Flávio criticou o endividamento e os gastos públicos, prometendo ajudar famílias a quitarem dívidas.
Confronto direto — Luchsinger e Vorcaro: Flávio cobrou explicações sobre Roberta Luchsinger e suas acusações contra Lulinha. Lula respondeu que a PF investigará e questionou a relação de Flávio com Daniel Vorcaro e com o “Careca do INSS”. A discussão desceu aos familiares: Flávio chamou Lulinha de “foragido”; Lula rebateu sobre Eduardo Bolsonaro nos EUA.
2º Bloco — SUS, pandemia e custo de vida
Saúde: Flávio repetiu a proposta de levar o “padrão Albert Einstein” ao SUS, com prontuário único, telemedicina e inteligência artificial. Lula questionou: “Será que ele quer privatizar o SUS?” A discussão esquentou e precisou ser interrompida pelos mediadores.
Pandemia: Lula criticou a gestão da Covid-19 e exaltou o Mais Médicos. Flávio reconheceu que a saúde não foi o ponto forte do governo do pai, mas classificou as acusações como “irresponsáveis”.
Trabalho: Flávio confirmou voto a favor do fim da escala 6×1, mas defendeu que a medida venha acompanhada de segurança e poder de compra. Lula rebateu dizendo que o adversário conhece a realidade do trabalhador “por literatura”.
Economia: Flávio anunciou o “Ministério da Prosperidade”, manutenção do Bolsa Família e um programa de renegociação de dívidas. Lula citou o aumento do salário mínimo e defendeu sua gestão.
3º Bloco — Sigilos, EUA e confusão final
Desafio de abertura de sigilos: Lula propôs que ambos abrissem suas contas bancárias e sigilos telefônicos — e os de suas famílias — à Justiça antes do segundo turno. Flávio respondeu que não tem “nada a esconder”, mas contra-atacou com alegações de movimentações financeiras ligadas ao Instituto Lula.
Relações internacionais: Lula falou em “subordinação” dos Bolsonaro aos EUA. Flávio acusou Lula de defender facções criminosas e prometeu investigar supostas interferências estrangeiras no processo eleitoral. Apresentou ainda propostas de endurecimento penal: castração química para estupradores e redução da maioridade para 14 anos em crimes hediondos.
O encerramento foi tenso. Flávio passou atrás de Lula durante sua fala, gerando uma discussão que precisou ser contida. Lula agradeceu pela democracia, defendeu sua gestão econômica e alertou contra privatizações. Flávio criticou os mandatos anteriores e encerrou prometendo honestidade e segurança para o país.












