POLÍTICA
Tarifaço de Trump: Lula diz não ter pressa em adotar medidas de reciprocidade, porque quer negociar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 29, que não tem pressa em tomar nenhuma medida de reciprocidade contra o tarifaço às exportações brasileiras imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump. “Não tenho pressa, porque quero negociar”, disse ele, em entrevista para a Rádio Itatiaia, de Minas. Mas, segundo Lula, é preciso dizer aos EUA que o Brasil também tem coisas para fazer contra eles.
A declaração vem logo depois de, conforme revelou o Estadão, o presidente autorizar e o Itamaraty acionar, nesta quinta-feira, 28, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para iniciar consultas, investigações e medidas com vistas à aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, como resposta ao tarifaço de 50% que atinge setores e produtos brasileiros.
Lula disse ter decidido autorizar o início das consultas contra os Estados Unidos para “fazer andar” a formulação da resposta brasileira ao tarifaço. “Esse é um processo que é um pouco demorado. Eu não tenho pressa de fazer qualquer reciprocidade com os Estados Unidos. Tomei a medida porque nós temos de fazer andar o processo.”
Segundo o presidente, o problema é que os Estados Unidos não querem negociar. Ele voltou a se queixar de ter escalado os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) e não ter conseguido uma interlocução com o governo americano.
“Não tentei ligar porque ele tem de dar um sinal de que quer negociar. As pessoas falam que é para ligar para o Trump, mas olha, se o secretário de Tesouro não falou com o Haddad, se o Alckmin não conseguiu falar com o cidadão do Comércio, porque que um telefone meu iria resolver?”, afirmou o presidente que voltou a dizer que, caso os Estados Unidos se ofereçam ao diálogo, o “Lulinha paz e amor” estará de volta.
Lula disse também que dependerá do presidente americano uma conversa durante a reunião da Assembleia Geral da ONU, no mês que vem. “Eu não tenho problema com o Trump, ele é problema do povo americano que o elegeu. (…) O Brasil não se recusa conversar, o que Brasil faz é não adotar a complexidade de vira-lata. Nós somos iguais e não queremos conversar com ninguém de forma subalterna”, disse.
O chefe do Executivo também adiantou que o discurso dele na ONU terá como temas as defesas da democracia, do multilateralismo e da governança mundial. Ele também opinou sobre a guerra entre Israel e Hamas, voltando a citar o conflito como um genocídio e afirmando que Israel está matando crianças e mulheres.
