Último debate antes do 2º turno é marcado por embates e troca de acusações

6 Min Read
Último debate antes do 2º turno é marcado por embates e troca de acusações

Na noite desta sexta-feira, 23 de outubro, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram no último debate oficial antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo, 25. Ao longo de duas horas de confronto na TV Globo, os candidatos debateram economia, saúde, segurança pública, programas sociais e infraestrutura, com trocas intensas de críticas e acusações.

Economia, poder de compra e obras paradas

Logo no início, Flávio questionou Lula sobre obras paralisadas e a capacidade de concluir empreendimentos. Lula rebateu citando investimentos do PAC e comparou o adversário a quem decora matéria para prova sem entender o conteúdo.

O confronto econômico ganhou força quando Flávio abordou o custo de vida: “Hoje é dia 23, o mês ainda não acabou. O seu salário já acabou?”, provocou, criticando preços dos alimentos e impostos. Lula defendeu a valorização do salário mínimo e questionou as propostas de reajuste do adversário. Os dois também divergiram sobre o agronegócio, o Plano Safra e a postura em relação ao comércio internacional — Lula ironizando a aproximação de Flávio com o governo Trump, e Flávio criticando a política externa do governo.

Saneamento, Norte e Nordeste

Flávio levantou a questão do saneamento básico, afirmando que o PT votou contra o marco legal do setor e prometeu retomar a meta de universalização até 2033. Lula citou investimentos em estradas, portos e saúde e criticou a política ambiental do governo Bolsonaro. Sobre o Nordeste, Flávio acusou governadores da região ligados ao PT de permitir o avanço do crime organizado: “Os estados do Nordeste são os mais violentos do Brasil. Você deixou o Comando Vermelho se proliferar”.

Políticas sociais e trocas de provocações

No segundo bloco, o debate passou por licença-maternidade, população em situação de rua e violência contra a mulher. Um dos momentos mais tensos aconteceu quando Flávio usou a expressão “nove dedos” em referência ao presidente. Lula reagiu, cobrou pedido de desculpas e destacou que a fala ofendia trabalhadores vítimas de acidentes. Flávio reconheceu que mudou de opinião sobre a licença-maternidade: “Eu estava errado. Hoje, depois que casei e tenho filhas, sei da importância da mãe perto do filho”.

Saúde e SUS

A saúde foi outro ponto de divergência. Flávio apontou filas, falta de medicamentos e problemas de gestão no SUS: “Você chega num hospital e é fila pra tudo”. Lula defendeu o sistema público e responsabilizou o governo anterior pelas mortes durante a pandemia: “O SUS é o responsável por evitar que morresse mais gente da Covid depois da irresponsabilidade do governo do pai dele”.

Endividamento e combate às bets

Flávio abriu o terceiro bloco com o tema que considera mais urgente: o endividamento das famílias. “O brasileiro antes parcelava um fogão, agora parcela o que tem dentro da geladeira”, afirmou. Lula lembrou os programas Desenrola, que renegociaram dívidas de milhões de pessoas, e associou o superendividamento também às apostas online: “Acabamos com as bets porque elas viraram um inferno na vida das pessoas”.

Segurança pública e o caso Ana Clara

O tema mais sensível da noite foi a segurança. Flávio criticou as saídas temporárias de presos e questionou a postura do governo diante do avanço de facções criminosas. Lula, por sua vez, direcionou a discussão para o caso da menina Ana Clara, presente na plateia ao lado da mãe: “Ela, eu e o Brasil inteiro queremos saber: o que leva um senador a defender um policial acusado de matar uma criança de 5 anos?”. Flávio manifestou solidariedade à família, mas disse confiar que o agente não foi o autor do disparo.

Ilha de Richarlison e outros embates

No bloco final, Lula cobrou explicações sobre a disputa de uma ilha em Angra dos Reis envolvendo o jogador Richarlison e um amigo de Flávio. O senador negou qualquer envolvimento e disse que a Justiça já analisou o caso. Em troca, Flávio questionou Lula sobre um suposto uísque de R$ 500 mil recebido e mencionou investigações ligadas ao Banco Master. Lula rebateu: “Você e Vorcaro parecem uma coisa só”.

Considerações finais

Lula começou suas palavras finais pedindo desculpas pelo tom elevado em alguns momentos e fez um apelo à democracia: “No domingo, a gente decide: ou mantemos a democracia funcionando ou vamos ter um miliciano governando este país”. Flávio usou seu direito de resposta para negar qualquer ligação com milícias e prometeu combate firme ao crime organizado. Encerrando, defendeu três pilares: recuperar o poder de compra, combater a insegurança e garantir liberdade aos brasileiros.

Propaganda
Compartilhe este artigo