RIO BRANCO (AC), 10 de janeiro de 2026 — O aprofundamento da crise política, social e econômica na Venezuela levou 9.432 cidadãos desse país a solicitar refúgio no Acre entre 2013 e 2025. Dos pedidos analisados pelo governo brasileiro, 8.596 foram deferidos, o que confirma o reconhecimento oficial de que os migrantes fugem de um cenário de grave violação de direitos humanos, agravado desde a ascensão de Nicolás Maduro à presidência, após a morte de Hugo Chávez.
O contexto de instabilidade na Venezuela tem origem no modelo implementado durante os 14 anos de governo de Chávez (1999-2013). Embora políticas sociais tenham sido ampliadas graças à alta do preço do petróleo, a economia se tornou excessivamente dependente da estatal PDVSA, enquanto setores produtivos foram enfraquecidos e instituições democráticas sofreram crescente interferência do Poder Executivo.
Com a morte de Chávez, Maduro assumiu o poder em um cenário já frágil, marcado pela queda da produção petrolífera, alta inflação e perda de reservas internacionais. A partir de 2014, a crise se acentuou com a chegada da hiperinflação, escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, além do colapso de serviços básicos como saúde e energia – fatores que colocaram milhões de venezuelanos em situação de extrema vulnerabilidade.
No âmbito político, o governo de Maduro foi acusado de esvaziar instituições democráticas, especialmente após o enfraquecimento da Assembleia Nacional (então controlada pela oposição) e a criação de uma Assembleia Nacional Constituinte paralela, sem amplo reconhecimento internacional. Organizações de direitos humanos também denunciaram repressão a protestos, detenções arbitrárias e perseguição sistemática a opositores.
O cenário gerou um dos maiores fluxos migratórios da história contemporânea. No mesmo período, foram registradas 287.058 solicitações de entrada de venezuelanos no Brasil, sendo 247.885 concentradas em Roraima – principal porta de entrada no país. Parte desse contingente se deslocou posteriormente para outros estados da Região Norte, como o Acre.
No território acreano, os municípios de fronteira lideram o ranking de concessões de refúgio: Epitaciolândia responde por 7.905 casos, seguido por Rio Branco (348) e Assis Brasil (307). Outras cidades como Brasiléia (27), Cruzeiro do Sul (7) e Feijó (2) também registraram decisões favoráveis.
No último sábado (3), a crise ganhou novo capítulo com a prisão de Maduro em operação das autoridades norte-americanas. O ex-presidente é acusado de narcotráfico internacional, conspiração e terrorismo, além de responder a denúncias de violações de direitos humanos em instâncias globais, reacendendo o debate internacional sobre o futuro da Venezuela.










