RIO BRANCO – O Acre registrou aumento de 88% nos casos prováveis de dengue em 2025, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pelo governo estadual. Foram contabilizados 8.563 casos até as semanas epidemiológicas 01 a 23, contra 4.5 mil no mesmo período de 2024, quando não houve óbitos pela doença – já este ano, quatro mortes foram confirmadas.
O crescimento local contrasta com a tendência nacional: o Brasil registrou 1.478.752 casos prováveis no mesmo intervalo, com coeficiente de 728,2 casos por 100 mil habitantes, redução de 75,7% em relação a 2024. Mesmo com a queda geral, o país acumulou 1.6 mil óbitos em 2025, e o Acre figura entre os estados com maior incidência proporcional, com coeficiente de até 1.031,7 casos por 100 mil habitantes.
Caso grave e sinais de alarme preocupam
Além das mortes, o estado notificou um caso de dengue grave e 49 casos com sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vómito persistente, sangramento e alterações no estado de consciência. O ministério da Saúde destaca que o tratamento é sintomático, com uso de paracetamol e hidratação adequada, e recomenda evitar medicamentos como ibuprofeno ou aspirina, que podem aumentar o risco de complicações.
Entre as vítimas falecidas está a artista Nathy Lima, referência da cultura junina no Acre e rainha trans do Carnaval da Família de 2025, que morreu em novembro devido a complicações de dengue hemorrágica. Sua morte mobilizou a comunidade artística e reforçou a importância de medidas preventivas.
Ações de prevenção são intensificadas
Para combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, o estado implementou a segunda etapa do projeto “Todos Contra o Aedes Aegypti” em setembro, com formação de agentes de endemias e ações de mobilização em escolas de dez municípios, incluindo Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Tarauacá. A iniciativa distribuiu materiais educativos e promoveu visitas domiciliares para eliminar criaderos.
No âmbito nacional, o governo federal anunciou R$ 183,5 milhões para ampliar tecnologias de controle do mosquito e lançou a campanha “Não Dê Chance para a Dengue, Zika e Chikungunya”. Além disso, a Anvisa aprovou em novembro a primeira vacina contra a dengue 100% nacional, a Butantan-DV, com dose única e eficácia de 74,7% contra casos sintomáticos e mais de 90% contra formas graves. A previsão é disponibilizar 60 milhões de doses anuais a partir de 2026.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a vigilância deve ser mantida. “A dengue continua sendo a principal endemia do país, e o impacto das mudanças climáticas amplia o risco de transmissão em regiões onde antes o mosquito não existia”, afirmou.









