RIO BRANCO (AC) – Em um encontro que uniu reflexão histórica e posicionamento político, entidades políticas, sindicais, estudantis e movimentos sociais se reuniram nesta quinta-feira (8) no auditório da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac), no campus da Ufac. A iniciativa integra a mobilização nacional com o tema “8 de janeiro – Brasil soberano: liberdade e dignidade aos povos”, comemorando três anos da tentativa de golpe que abalou as bases da democracia brasileira em 2023.
O evento buscou aprofundar a discussão sobre as consequências políticas, jurídicas e sociais do episódio que marcou a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília. Além de analisar o enfrentamento ao extremismo antidemocrático, os participantes debateram os desafios para consolidar o regime democrático no país, com foco no papel das universidades e dos movimentos sociais como guardiões da memória e do pensamento crítico.
Espaço acadêmico como palco da luta democrática
A presidente da Adufac, Letícia Mamed, destacou a carga simbólica de realizar o ato dentro de uma instituição de ensino público federal. Para ela, esses espaços são fundamentais na formação da consciência cidadã e no fortalecimento dos valores democráticos. “Realizar essa iniciativa na universidade reforça o papel do ambiente acadêmico como berço do aprendizado e da reflexão coletiva”, afirmou.
De acordo com a dirigente, resgatar a memória do 8 de janeiro é uma forma de evitar retrocessos históricos. “Aquela foi uma afronta grave e recente à nossa democracia. Ao relembrarmos o que aconteceu, construímos barreiras para que tais eventos nunca mais se repitam”, explicou.
Ao traçar paralelos com o período da ditadura militar-empresarial, Mamed lembrou que as universidades sempre foram alvos de projetos antidemocráticos. “A sombra da repressão ainda paira sobre nós, e não por acaso: a universidade é o lar do pensamento crítico, o que a torna inimiga de quem busca impor interesses acima do bem público”, disse. Ela ressaltou que o impacto do ataque de 2023 reverberou no meio acadêmico, com manifestações de repúdio majoritário aos valores ditatoriais e autoritários que o episódio representou.
Orçamento reduzido e autonomia ameaçada
Além do debate sobre a defesa da democracia, a presidente da Adufac abordou os desafios financeiros e políticos que atingem as universidades federais. Segundo ela, os cortes orçamentários têm mantido os recursos em patamares de 2014 e 2015, mesmo com o crescimento do número de estudantes e das demandas da instituição.
“Esse cenário força as universidades a depender cada vez mais de emendas parlamentares, o que cria um problema estrutural”, alertou. Para Mamed, o modelo compromete a gestão democrática das instituições. “Quando recursos são direcionados com base em interesses eleitorais, e não por meio de fóruns democráticos como os conselhos universitários, estamos diante de uma prática que desrespeita os princípios republicanos”, criticou. A dirigente defendeu que as prioridades das universidades públicas devem ser definidas coletivamente por docentes, discentes e técnicos administrativos.
Juventude ressalta impacto emocional do ataque
A participação de estudantes trouxe à tona a dimensão humana do episódio. Artur Silva, integrante da juventude do Partido dos Trabalhadores (PT), contou como as imagens do ataque causaram impacto pessoal. “Foi um momento de profundo terror. Ver pessoas destruindo espaços que pertencem a todo o povo brasileiro é algo que não se consegue compreender”, afirmou.
Para ele, a mobilização na Ufac tem um propósito essencial: manter viva a lembrança do ocorrido e reforçar o compromisso com a democracia. “Nosso objetivo hoje é lembrar aquele dia e deixar claro que as instituições do país devem ser sempre respeitadas”, concluiu.









