RIO BRANCO (AC) – Pouco mais de um quinto dos estrangeiros que ingressaram no Brasil pelo Acre em 2025 e solicitaram proteção internacional obtiveram o status de refugiado. Dados do Observatório das Migrações Internacionais mostram que, de 850 decisões proferidas ao longo do ano, apenas 180 foram favoráveis – correspondendo a 21,2% dos pedidos analisados.
Os números ganham destaque diante do agravamento da crise política e humanitária na Venezuela em 2025, que intensificou os fluxos migratórios na região e consolidou o Acre como uma das principais rotas de entrada de pessoas em busca de acolhimento no país.
Epitaciolândia lidera fluxos migratórios
Entre os municípios do estado, Epitaciolândia concentrou a maior parte das solicitações, com 488 registros – quase 57% do total. Em seguida aparecem Assis Brasil (264 pedidos), Rio Branco (95) e Cruzeiro do Sul, com apenas três solicitações no período.
A nacionalidade venezuelana é a mais representativa entre os requerentes: dos 850 pedidos analisados, 487 foram feitos por cidadãos desse país (57,3% do total). Em seguida figuram Colômbia (85), Cuba (83) e Peru (57), além de menores contingentes de Argentina, Chile, Equador, Haiti, Síria e uma pessoa apátrida.
Maioria dos processos termina em extinção
No detalhamento das decisões, 154 pedidos foram deferidos e 26 tiveram extensão do direito à proteção deferida, somando os 180 casos favoráveis. A parcela maior dos processos, no entanto, encerrou-se em extinção (591 casos), além de 76 arquivamentos e apenas três indeferimentos formais.
Entre os venezuelanos, o cenário se mantém: 154 solicitações foram deferidas, sete arquivadas e 326 extintas. Embora representem a maioria absoluta dos requerentes, apenas uma parcela consegue efetivamente o reconhecimento como refugiado. Quanto ao perfil, a maioria dos solicitantes é do sexo masculino (491 registros), contra 359 do sexo feminino.









